As primeiras horas após a ingestão de bebida alcoólica contaminada são decisivas para salvar vidas e o Estado de São Paulo mantém estoque do antídoto contra intoxicação por metanol, o álcool etílico absoluto (etanol 99,9%), disponível em unidades de referência como os Hospitais das Clínicas da USP, da Unicamp e de Ribeirão Preto.
O alerta foi feito pela coordenadora de Controle de Doenças (CCD) da Secretaria de Estado da Saúde, Regiane de Paula, em entrevista ao programa SP em 3, 2, 1, da Agência SP, diante dos casos de intoxicação por metanol em São Paulo.
Além do antídoto, a rede estadual também conta com estrutura laboratorial para confirmar a presença da substância no organismo. As análises são realizadas pelo Laboratório de Toxicologia Analítica Forense (LATOF), da USP de Ribeirão Preto, considerado referência no país, a partir de amostras de sangue ou urina coletadas nas unidades de saúde e encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, que coordena a logística do transporte.
A coordenadora ressaltou que a busca por atendimento médico rápido é fundamental. “No primeiro sinal que fuja do habitual, é essencial procurar uma unidade de saúde para receber o antídoto contra o metanol. Isso pode salvar vidas”, disse, lembrando que tanto serviços públicos quanto privados estão preparados para este tipo de atendimento.
Ela também reforçou o que deve ser feito diante dos primeiros sintomas. “Procurar imediatamente um pronto-socorro é a única forma segura de tratamento. O tempo é determinante, principalmente nas primeiras horas após a ingestão da bebida contaminada”, destacou.
Segundo Regiane, os sintomas de intoxicação são diferentes dos efeitos esperados após o consumo de álcool. “Os principais sinais são dor de cabeça intensa, sonolência excessiva e dores abdominais fortes. Caso não haja atendimento imediato, a evolução pode levar a convulsões, cegueira e perda neurológica”, afirmou.
Sobre as denúncias de adulteração em bebidas, Regiane explicou que a apuração já faz parte da rotina das polícias e da Vigilância Sanitária em SP, mas que foi reforçada com uma força-tarefa integrada por órgãos estaduais e municipais. “Foram mais de 43 mil inspeções realizadas somente em setembro nos 645 municípios paulistas”, informou.
De acordo com a Secretaria da Saúde, o Estado já confirmou, até esta quinta (1), 11 casos de intoxicação por metanol, incluindo um óbito. Para enfrentar o problema, o governo mantém um gabinete de crise e ações conjuntas entre as secretarias da Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça. As ações são cautelares e o envolvimento dos estabelecimentos com os casos é investigado.
A intoxicação por metanol é grave, pode levar à cegueira permanente e até a óbito. O metanol pode estar presente em bebidas alcoólicas clandestinas e adulteradas, além de produtos como combustíveis, solventes e líquidos de limpeza.
As unidades de saúde do estado estão preparadas para lidar com a situação. A Secretaria de Saúde recomenda que o paciente com quadro incomum após ingestão de bebida alcoólica deve procurar atendimento médico imediato, realizar exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. Os sintomas de alerta são dores abdominais intensas, tontura e confusão mental. O socorro em até 6h após o início dos sintomas é fundamental para evitar o agravamento.
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