A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse nesta quarta-feira (30) que a decisão do Ibama de indeferir o pedido da Petrobras para realizar atividade de perfuração em um bloco situado na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, foi baseada em critérios técnicos e será respeitada.
Marina foi ouvida em audiência pública da Comissão de Minas e Energia, a pedido de diversos deputados. “O Ibama não facilita nem dificulta, e o Ministério do Meio Ambiente respeita aquilo que são os procedimentos devidamente instruídos com base na boa gestão pública”, disse a ministra.
Em maio, o órgão ambiental indeferiu o pedido da Petrobras “em função do conjunto de inconsistências técnicas” para a operação segura em uma nova área exploratória, segundo nota divulgada na época. A estatal alega que atendeu toda as condições colocadas originalmente pelo Ibama.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, que também participou da audiência, afirmou que a Petrobras entregou um pedido de reavaliação, que está sob análise técnica. Agostinho disse aos deputados que não existe “nenhuma perseguição” à companhia.
“Nenhuma empresa brasileira, nenhum empreendedor brasileiro tem mais licenças do que a Petrobras”, afirmou. Segundo ele, o Ibama analisa hoje 15 processos de licenciamento na Margem Equatorial, onde está a foz do Amazonas. Ele disse ainda que a companhia pediu prioridade ao licenciamento de poços na Bacia Potiguar (entre RN e CE).
Defesa
Durante a audiência pública, vários deputados defenderam a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas.
O deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), um dos proponentes do debate, disse que o pedido da Petrobras se restringe à perfuração de um poço com o objetivo de verificar a existência ou não de jazida petrolífera na Margem Equatorial. “Os testes que a Petrobras deseja fazer estavam a 400 km de distância da foz. Me parece longínquo e seriam testes”, enfatizou Andrada.
O deputado Julio Lopes (PP-RJ), que também pediu a audiência, lembrou que a Guiana e o Suriname, países próximos ao Amapá, já estão explorando petróleo na Margem. “O Suriname identificou uma reserva de petróleo em 2020, começou o licenciamento em 2021 e em 2023 já está em exploração, uma reserva do tamanho de 27% da reserva brasileira”, afirmou Lopes.
Por sua vez, o deputado Júnior Ferrari (PSD-PA) disse que a Petrobras tem experiência na exploração de bacias sedimentares e já garantiu que o risco de acidente com o poço “é quase zero”.
BR-319
A ministra Marina Silva também foi questionada sobre o licenciamento ambiental da obra de reestruturação da BR-319 (Rodovia Manaus-Porto Velho). A via já existe, mas se encontra deteriorada. A obra não entrou no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo Lula, por problemas ambientais.
Na avaliação do deputado Sidney Leite (PSD-AM), a decisão prejudicou a região. “O que me causa espécie é que não se trata de uma obra nova. Estamos falando de uma estrada existente, e ela é bem antiga, por sinal”, disse.
A ministra do Meio Ambiente afirmou que o governo receia o impacto ambiental do empreendimento, que corta área florestal. Segundo ela, o asfaltamento da BR pode levar à formação de uma rede de estradas vicinais, colocando pressão sobre a floresta. “Não é só a questão de ter ou não a ‘picada’. É o impacto que a estrada vai causar”, afirmou Marina Silva.
O presidente do Ibama informou que a licença prévia para o empreendimento já foi liberada. No momento, o órgão aguarda o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) apresentar os estudos para a concessão da licença de instalação.
Linhão
O deputado Ricardo Salles (PL-SP), também proponente do debate com a ministra, questionou sobre a situação do licenciamento da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista, que vai ligar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo ele, o atraso na obra tem prejudicado o meio ambiente, já que sem o ‘linhão’, o estado vem sendo abastecido por termelétricas poluentes (alimentadas a óleo diesel).
“A mim me parece que o licenciamento é uma maneira analítica, técnica, de se dizer o ‘sim’, porque se for para dizer o ‘não’, a gente nem precisa do licenciamento [para o empreendimento]”, disse Salles. Em resposta, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse que a obra já tem a licença de instalação desde setembro de 2021 e deve ser retomada em breve.
Também participaram da audiência pública outros deputados, como Welter (PT-PR), Pedro Campos (PSB-PE), Leo Prates (PDT-BA), Roberta Roma (PL-BA), Odair Cunha (PT-MG), Túlio Gadêlha (Rede-PE), Max Lemos (PDT-RJ) e Benes Leocádio (União-RN).
Câmara Comissão mista vota nesta quarta-feira relatório sobre repasse de recursos das bets para a PF
Câmara Comissão aprova projeto que permite a prefeituras vender ônibus escolar adquirido com recursos federais
Câmara Câmara aprova regras para uso do símbolo da Cruz Vermelha em período de conflito armado
Câmara Câmara aprova regime de urgência para cinco projetos
Câmara Câmara aprova MP que reduz prazo de benefício fiscal para importadores de cacau; acompanhe
Câmara Projeto que cria Política de Proteção ao Produtor Rural gera divergência Mín. 23° Máx. 39°
Mín. 22° Máx. 41°
Chuvas esparsasMín. 23° Máx. 41°
Chuvas esparsas