Parlamentares aliados ao presidente Jair Bolsonaro aproveitaram a sessão do Congresso Nacional nesta quinta-feira (15) para criticar a ação da Polícia Federal contra pessoas acusadas de ligação com atos antidemocráticos iniciados após a vitória de Lula nas eleições presidenciais deste ano. A ação foi ordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), que já foi condenado pelo STF após ameaçar ministros da Corte em uma transmissão pela internet, defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes. “Pessoas que não têm a prerrogativa de foro simplesmente estão sendo obstruídas no direito de ir e vir, no direito à liberdade de expressão, agora com as contas também bloqueadas e sendo perseguidas pelo Alexandre de Moraes”, disse.
Para o deputado Neucimar Fraga (PP-ES), a busca e apreensão dentro do Parlamento não deveria ser autorizada. “É preciso agir contra essas arbitrariedades que estão sendo cometidas contra o povo brasileiro, contra deputados e senadores”, disse. Entre os alvos da ação de hoje estão dois deputados estaduais do Espírito Santo, estado de Fraga: Carlos Von e Capitão Assumção.
Autor de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o Judiciário, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) chamou o ministro Alexandre de Moraes de “fora da lei”. “Hoje, foram quase 100 operações de busca e apreensão, foram promovidos em série bloqueios de contas bancárias contra quem não tem prerrogativa de foro”, criticou.
Falando em nome da liderança do PL, o senador Carlos Portinho (RJ) criticou a ação de Judiciário, mas pediu diálogo entre as instituições. “É um dever nosso recuperar o nosso tamanho e abrir o canal de diálogo. O que este Congresso quer é diálogo, é retomar o equilíbrio das Casas, é proteger a prerrogativa do Parlamentar, o direito de fala”, disse.
O deputado Sanderson (PL-RS) também criticou Moraes. “Estamos preocupados com o avanço autoritário de um ministro do STF”, disse.
Em defesa do STF
Nesta quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu mais de 100 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros oito estados. Os alvos são pessoas que estariam envolvidas na organização e no financiamento de manifestações antidemocráticas que bloquearam rodovias após a derrota de Jair Bolsonaro.
Além disso, Moraes determinou o bloqueio de mais de 150 perfis em redes sociais de pessoas ligadas aos atos golpistas. Segundo o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, nas operações policiais foram encontradas armas.
O deputado Ivan Valente (Psol-SP) cobrou justiça contra os organizadores dos atos. “Estivemos agora com o ministro Alexandre de Moraes em nome da Comissão de Fiscalização e Controle (da Câmara) e queremos parabenizá-lo pelas ações que estabilizam a democracia brasileira. É preciso colocar na cadeia todos que são coniventes com o atentado à democracia”, disse.
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