O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara ouviu nesta terça-feira (23) duas testemunhas de defesa do deputado Gilvan da Federal (PL-ES), acusado de quebra de decoro parlamentar por ofensas à deputada licenciada Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, e ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), durante reunião da Comissão de Segurança Pública, em 29 de abril.
Gilvan foi suspenso por três meses em 6 de maio, em razão dessas declarações, e já retomou o mandato. O conselho analisa agora o pedido de cassação do mandato do deputado, feito pela Mesa Diretora da Câmara.
O relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), questionou a primeira testemunha, o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que presidia a reunião da Comissão de Segurança, se ele presenciou os fatos.
Bilynskyj relatou que Gilvan usou apelidos da lista da Odebrecht, como "Lindinho" e "Amante", relacionados a corrupção e segurança pública, sem citar nomes reais. “Eu acredito que a representação é infundada por atribuir uma relação entre a fala do Gilvan e a ministra. Esse elemento não existe nem na fala do Gilvan nem de forma contextual”, afirmou.
Sobre o termo "amante", explicou que Gilvan usou a palavra como substantivo designando uma pessoa, não como adjetivo.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) perguntou então se Gilvan fez os ataques sem alvo definido. “Ele não queria se referir absolutamente a ninguém, a seres extraterrestres talvez?”, indagou Alencar.
“Eu acredito que a fala dele era uma fala sobre corrupção. Eu não acredito que era direcionada a ofensa à ministra ou ao Lindbergh”, respondeu Bilynskyj.
Pedido de desculpas
O próprio deputado Gilvan da Federal rebateu as falas de Alencar e da deputada Maria do Rosário (PT-RS) sobre o pedido de desculpas proferido por ele em Plenário. “Afirmaram aqui que eu pedi desculpas, assumindo que ofendi a deputada Gleisi Hoffmann. Isso é mentira. Eu não assumi em momento algum, em várias falas minhas, eu reitero que eu não me referia à deputada Gleisi Hoffmann”, disse.
A segunda testemunha, o deputado Sargento Fahur (PSD-PR), também defendeu Gilvan dizendo que ele não tinha como alvo Gleisi Hoffmann. Sobre a fala de Gilvan chamando alguém de “prostituta do caramba”, Fahur confirmou que presenciou o ocorrido: “Ele falou isso como um desabafo final”, disse.
O presidente do Conselho de Ética, deputado Fabio Schiochet (União-SC), informou que Gilvan da Federal será ouvido na próxima semana e que o relatório deverá ser apresentado na segunda semana de outubro.
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