A Fundação Florestal, vinculada ao Governo do São Paulo, lançou o Selo Pró-Juçara, uma iniciativa que reconhece produtores, organizações e estabelecimentos que adotam, em seus produtos, práticas sustentáveis relacionadas à palmeira-juçara (Euterpe edulis). A iniciativa está relacionada ao Programa de Conservação da Palmeira-Juçara (Pró-Juçara), criado em 2021 com o objetivo de proteger a palmeira, espécie ameaçada de extinção da Mata Atlântica.
O Selo Pró-Juçara tem o objetivo de promover maior valor agregado aos produtos ligados ao modelo de produção sustentável que mantém a conservação da espécie. Na prática, é um selo de alta qualidade concedido a produtos e estabelecimentos como reconhecimento para quem atua na cadeia produtiva sustentável da juçara, envolvendo desde os ciclos de coleta de frutos e a produção de polpa até o processamento e a comercialização de produtos derivados.
“O Selo Pró-Juçara é mais do que um instrumento de reconhecimento: ele consolida uma política pública que conecta conservação ambiental, geração de renda e valorização da sociobiodiversidade. Ao estruturar essa cadeia produtiva sustentável, o Governo de São Paulo fortalece um modelo que protege a espécie ameaçada e cria oportunidades concretas para as comunidades que vivem da floresta em pé”, afirma Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.
Os frutos da palmeira-juçara, além de alimentarem mais de 70 espécies diferentes da fauna da Mata Atlântica durante períodos de escassez na floresta, têm grande potencial culinário e nutricional para os seres humanos, podendo ser consumidos puros e combinados com outras frutas ou utilizados em diferentes preparos culinários, como sucos, bolos, sorvetes, pães e geleias, entre outros.
“Trata-se de um projeto muito importante, já que ele gera visibilidade aos produtos, além de fortalecer mercados sustentáveis e incentivar práticas que contribuam para a conservação da espécie e da sociobiodiversidade da Mata Atlântica”, explica Victoria Karvelis, diretora de Bioeconomia da Fundação Florestal.
Para quem pretende obter o reconhecimento, o edital da Fundação Florestal possui duas modalidades de selos. A modalidade Produtor (“Este produto apoia a juçara e quem a protege!”) é destinada a pessoas físicas ou jurídicas que pratiquem o manejo sustentável e a produção direta dos frutos da juçara. Já a modalidade Apoiador ou Comercializador (“Aqui tem produtos de juçara!”) é voltada a pessoas físicas ou jurídicas que comercializem produtos oriundos do manejo sustentável dos frutos da juçara.
As inscrições estão abertas para todas as pessoas que queiram participar. Os candidatos devem comprovar a realização do manejo adequado da juçara e o cumprimento da legislação ambiental.
Entre os critérios avaliados está, por exemplo, a coleta sustentável dos frutos, que prevê a manutenção de parte deles nas palmeiras para alimentar a fauna. Também é importante que não haja plantios de açaí amazônico próximos às áreas de coleta, a fim de evitar a hibridização (cruzamento) com a palmeira-juçara.
Ao todo, aproximadamente 300 famílias estão capacitadas para conquistar o selo, já que fazem parte do projeto socioambiental da palmeira-juçara na região.
As inscrições devem ser feitas por e-mail junto à Fundação Florestal, pelo endereço [email protected] .
A documentação exigida está disponível no edital, no link .
As solicitações podem ser feitas em qualquer dia e serão analisadas pela equipe técnica do Pró-Juçara. Após receber o selo, ele terá validade de até dois anos e poderá ser utilizado em embalagens e materiais de divulgação dos produtos certificados.
O selo faz parte da política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) da palmeira-juçara (PSA Juçara), desenvolvida pela Fundação Florestal. O programa remunera famílias pelo plantio, manejo e proteção da palmeira-juçara. A iniciativa incentiva a conservação da floresta em pé, a restauração ambiental e a geração de renda sustentável nos territórios onde estão localizadas Unidades de Conservação e suas zonas de amortecimento.
Atualmente, São Paulo conta com 61 grupos de PSAs em operação, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias em iniciativas de conservação, restauração produtiva e manejo sustentável. Entre os destaques estão o PSA Mar Sem Lixo, PSA Juçara, o PSA Guardiões das Florestas e o PSA Refloresta.
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