Bactéria bloqueia vasos que transportam água e sais minerais da raiz para as folhas das oliveiras (Foto: Nilson Teixeira / Epagri)
A presença de Xylella fastidiosa subsp. pauca (Xfp), foi detectada pela primeira vez em oliveiras no estado de Santa Catarina. O estudo, publicado no início de março, na revista Journal of Plant Pathology , é fruto do trabalho de pesquisadores da Epagri, em parceria com investigadoras do Agronômica – Laboratório de Diagnóstico Fitossanitário e Consultoria, de Porto Alegre, e o Centro de Protección Vegetal y Biotecnología do Instituto Valenciano de Investigaciones Agrarias (IVIA), de Valência, na Espanha.
Integraram este estudo os pesquisadores da Epagri, Maria Cristina Canale, Rafael Roveri Sabião e Eduardo Cesar Brugnara; as pesquisadoras do laboratório Agronômica, Yuliet Cardoza, Pamella Chaves Ortiz, Tatiana Mituti e Juliane Fernandes, além de Silvia Barbé, do IVIA.
Ao longo das observações, quatro oliveiras do pomar experimental em Chapecó, três do cultivar Koroneiki e uma do cultivar Arbequina, apresentaram alterações como escurecimento, queima de folhas e morte prematura de galhos e ramos.
A Xfp é uma bactéria patogênica que causa uma série de doenças em culturas importantes como citrus , oliveiras, ameixeiras e cafeeiros. Esta bactéria possui a capacidade de colonizar e bloquear os vasos xilémicos, responsáveis pelo transporte de água e sais minerais da raiz para as folhas. Este é um processo essencial para o desenvolvimento sadio da planta. A inoculação do cultivar com a bactéria é causada por insetos vetores, do grupo das cigarrinhas, que se alimentam da seiva do xilema, e assim, transportam e disseminam a bactéria nos cultivos.

A produção acadêmica aponta que a Xfp é a causadora da clorose variegada dos citros e da queima das folhas do café no Brasil. Além disso, há mais de uma década, ela também é associada à Síndrome de Declínio Rápido da Oliveira, na Itália e no Brasil. Estudos anteriores identificaram isolados de Xfp do tipo 69 na Argentina, próximo à fronteira com Santa Catarina. No entanto, esta é a primeira vez que esse tipo de isolado da bactéria é detectado no Brasil. Isso reforça a necessidade de monitorar sua presença nos territórios catarinense e brasileiro, através de medidas preventivas que evitem sua disseminação.
Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
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