Terça, 22 de Setembro de 2026
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Política ELEIÇÕES

Debate REMA TV: Fúria gera dois direitos de resposta após ofensas e informações inverídicas

Banca da OAB autorizou Samuel Costa a rebater suspeita de pagamento e concedeu a Marcos Rogério tempo para contestar os R$ 14 milhões atribuídos por Fúria a uma emenda individual

02/09/2026 17h23
Por: Redação Fonte: Redação
Divulgação
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Dois minutos adicionais concedidos pela banca julgadora resumiram os momentos de maior desgaste de Adaílton Fúria no debate da REMA TV. Um minuto ficou com Samuel Costa, acusado pelo candidato de possivelmente receber dinheiro durante o período eleitoral. O outro foi entregue a Marcos Rogério, que classificou como falsa a afirmação de que havia destinado individualmente R$ 14 milhões para a construção do Museu da Bíblia no Distrito Federal.

Os direitos de resposta não foram concedidos simultaneamente. Eles nasceram de dois confrontos separados, com adversários diferentes e por declarações de naturezas distintas. No caso de Samuel, a controvérsia foi pessoal e envolveu uma suspeita financeira que Fúria admitiu basear no histórico que lhe teria sido relatado e em comentários ouvidos por ele. No episódio com Rogério, o problema esteve na atribuição de um valor específico a uma emenda individual, contestada pelo senador durante o tempo autorizado pela banca.

O debate, realizado na terça-feira, 1º de setembro, contou com uma comissão formada por advogados da Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia para examinar os pedidos. A mediação anunciou os deferimentos durante a transmissão, mas não leu pareceres nem apresentou a fundamentação utilizada. Por essa razão, é possível afirmar que os direitos foram concedidos, mas não atribuir à banca justificativas que ela não expôs diante das câmeras.

O confronto com Marcos Rogério começou em uma pergunta sobre atendimento de saúde nos distritos. Rogério disse defender um modelo regionalizado, com exames, consultas e cirurgias realizados mais perto da residência dos pacientes. Citou recursos para procedimentos em municípios do interior e pediu que Fúria detalhasse o que faria pelos distritos de Rondônia.

Em vez de iniciar a resposta pelos distritos, Fúria questionou por que o senador não havia mencionado Ji-Paraná entre os municípios beneficiados. Disse não compreender qual seria o problema de Rogério com a cidade, defendeu a estadualização do hospital municipal e criticou a distribuição de exames e procedimentos entre a capital e o interior.

Fúria citou, apenas no fim da resposta, que o distrito de Extrema possuía estrutura com condições de atendimento. O desenvolvimento principal, entretanto, permaneceu concentrado em Ji-Paraná, na sobrecarga dos hospitais de Cacoal e Porto Velho e na necessidade de descentralização da saúde.

Rogério aproveitou a réplica para dizer que o governo apoiador da candidatura de Fúria havia impedido a regionalização em Ji-Paraná. Também criticou o atendimento no Hospital Regional de Cacoal e afirmou que o concorrente ainda não havia respondido objetivamente sobre os distritos.

Foi nesse ponto que Fúria introduziu a acusação sobre o museu. O candidato afirmou que Rogério havia usado R$ 14 milhões de seu orçamento individual em 2020 para financiar a obra em Brasília. Repetiu o número e contrapôs o destino do dinheiro às necessidades hospitalares de Ji-Paraná e Porto Velho.

A declaração não ficou limitada àquela tréplica. Em outro confronto, quando deveria perguntar a Pedro Abib sobre saúde materno-infantil, Fúria voltou ao tema antes de formular a questão sorteada. Pediu à equipe de comunicação que publicasse um extrato nas redes sociais e afirmou novamente que Rogério encaminhara R$ 14 milhões de uma emenda individual para o museu.

Fúria comparou o montante ao preço do saco de cimento e argumentou que o senador poderia ter sido justo com Rondônia e construído um museu no estado. Depois pediu que o público acompanhasse suas redes sociais e somente então perguntou a Abib o que faria pela saúde de mães e crianças.

A escolha abriu espaço para um ataque direto de Pedro Abib à gestão de Fúria em Cacoal. Abib apresentou números sobre mortalidade infantil, neonatal e materna, responsabilizou politicamente o governo ao qual associava o adversário e afirmou que o ex-prefeito havia inaugurado um hospital incompleto a 20 dias de deixar o cargo. Também disse que os leitos de UTI da maternidade infantil já não existiam.

Fúria rejeitou a crítica. Relatou que a maternidade de Cacoal registrava de 15 a 20 mortes de bebês por ano e afirmou ter transformado essa realidade. Segundo ele, a unidade passou a apresentar taxa zero de mortalidade e recebeu equipamentos de última geração. Abib não recuou e afirmou, na tréplica, que o debate deveria considerar “dados e realidade, não narrativas”. Também classificou como eleitoreira a entrega de estruturas públicas no fim das gestões. Todas essas declarações foram apresentadas pelos candidatos, sem verificação documental durante o confronto.

O pedido de Marcos Rogério foi analisado durante o intervalo. Na volta, a mediação informou que a banca da OAB havia concedido um minuto ao senador. Rogério abriu sua manifestação dizendo não compreender a motivação de Fúria para levar “uma desinformação, uma fake news” ao debate.

O senador apresentou um valor diferente. “Eu destinei R$ 500 mil de uma emenda minha, e um conjunto de outros deputados e senadores do Brasil inteiro destinaram também para construir o Museu da Bíblia no Distrito Federal, a pedido da Sociedade Bíblica do Brasil”, afirmou.

Rogério também declarou que não seria a primeira vez que a campanha de Fúria divulgava conteúdo falso e disse que decisões judiciais já haviam determinado a retirada de outras publicações. A afirmação foi feita pelo próprio senador em seu direito de resposta. A transmissão não exibiu as decisões mencionadas nem detalhou quais conteúdos estavam envolvidos.

A divergência central ficou registrada entre os R$ 14 milhões atribuídos por Fúria a uma emenda individual de Rogério e os R$ 500 mil reconhecidos pelo senador como contribuição própria a um projeto que, segundo ele, recebeu recursos de diversos parlamentares. Não houve nova manifestação imediata de Fúria depois daquele minuto.

O candidato, contudo, retomou o assunto mais tarde. Antes de formular uma pergunta sobre segurança pública a Pedro Abib, afirmou que o museu de R$ 14 milhões podia ser localizado no Transferegov, em nome de Marcos Rogério, e mencionou uma primeira etapa superior a R$ 2 milhões. O documento referido por Fúria não foi mostrado na tela, e a transmissão não esclareceu se o nome do senador estava associado ao valor global do projeto ou apenas à parcela individual admitida por ele.

A segunda concessão a um adversário foi construída ao longo de dois embates entre Fúria e Samuel Costa. No primeiro, Samuel perguntou qual espaço Expedito Júnior teria em um eventual governo de Fúria, considerando a participação política do ex-senador na formação da aliança e o apoio do governador Marcos Rocha.

Fúria respondeu que nem Expedito Júnior nem Marcos Rocha teriam espaço na administração. Disse que o governador era apoiador de sua candidatura, mas não integraria o futuro governo. Em seguida, classificou a pergunta como irrelevante e inadequada para o debate.

Na mesma resposta, lançou a primeira suspeita contra Samuel. “Não sei se o senhor está tendo alguém, está sendo pago por alguém, não sei”, declarou. Não foram apresentados registros bancários, contratos, testemunhos ou qualquer outro elemento que sustentasse a possibilidade levantada.

Samuel reagiu afirmando que não precisava de dinheiro de terceiros e que seu patrimônio seria superior ao de Fúria. A partir daí, o confronto acumulou novas acusações. Samuel chamou o adversário de traidor do governador, falou em utilização da máquina pública e alegou que servidores comissionados seriam pressionados a balançar bandeiras. Nenhum documento foi exposto para demonstrar essas alegações.

Fúria, naquele momento, também solicitou direito de resposta. A banca concedeu um minuto a ele, e o candidato afirmou que vinha sofrendo ataques diários de páginas patrocinadas por políticos e de concorrentes. Também repetiu que Marcos Rocha terminaria o mandato e iria para casa, enquanto o próximo governador teria de enfrentar problemas de saúde, educação e segurança.

O registro desse direito concedido a Fúria é necessário para a reconstrução completa do debate. A existência daquela manifestação, contudo, não altera o que ocorreu mais tarde, quando o próprio candidato voltou a fazer uma acusação financeira contra Samuel e provocou a concessão de tempo ao adversário.

No segundo encontro entre os dois, Samuel cobrou que Fúria dissesse quais áreas do governo Marcos Rocha seriam modificadas. Também pediu que identificasse medidas da atual administração que considerava positivas. A pergunta buscava relacionar o candidato ao governo que apoiava sua campanha.

Fúria afirmou que havia ações corretas e outras que precisavam melhorar, mas não indicou uma secretaria específica que seria integralmente substituída. Disse que segurança, saúde e educação enfrentavam problemas e voltou a atribuir a insistência de Samuel a um possível “problema espiritual” com o governador.

A resposta avançou para a biografia de Fúria. Ele mencionou trabalhos realizados na juventude, a “faculdade da vida”, a passagem por cargos eletivos e a atuação como prefeito durante a pandemia. Ao tratar de Marcos Rocha, disse que os dois haviam mantido divergências, inclusive sobre a abertura e o fechamento do comércio.

Samuel chamou Fúria de “Pikachu, todo brabinho”, pediu que ele se acalmasse e voltou a dizer que o adversário se escondia de seus aliados. Também reiterou a acusação de pressão sobre servidores. Fúria respondeu recomendando que qualquer pessoa coagida procurasse o Ministério Público.

Na continuação, porém, voltou ao campo pessoal. Disse que Samuel não respeitava as pessoas, mencionou uma fala do concorrente em outro debate e afirmou que seria necessário investigar se ele estava recebendo dinheiro de alguém. Acrescentou: “Provavelmente, porque o seu histórico e o que eu ouvi por aí é que isso acontece todo ano eleitoral.”

Samuel solicitou o direito de resposta imediatamente. A banca analisou o pedido enquanto o debate prosseguia e, mais tarde, autorizou o minuto. O candidato negou ter recebido recursos de Hildon Chaves ou de outro concorrente, disse que seu patrimônio era declarado e ofereceu os sigilos bancário e fiscal.

No mesmo tempo, Samuel mencionou as operações policiais “Draco 1 e Draco 2” e afirmou que Fúria deveria explicar fatos ocorridos durante sua administração. A simples realização de operações na gestão municipal não comprova responsabilidade pessoal do ex-prefeito, e Samuel não exibiu elementos que estabelecessem essa vinculação.

Além das duas concessões, Fúria enfrentou outra divergência factual ao debater creches com Expedito Netto. Netto afirmou que parte das unidades concluídas em Cacoal contou com recursos destinados por ele quando deputado federal. Fúria respondeu que as creches citadas não haviam recebido emendas do concorrente e que o repasse de R$ 12 milhões era para equipamentos. Netto contestou, afirmou que essa quantia correspondia apenas a uma rubrica e sustentou ter enviado mais recursos, inclusive transferências de aplicação definida pelo município.

O conjunto do debate mostrou Fúria recorrendo frequentemente às realizações de Cacoal para sustentar sua candidatura. Também registrou situações em que o candidato deixou de responder integralmente a perguntas sobre distritos e sobre a composição do governo para reagir aos adversários, atacar suas motivações ou deslocar a discussão para a própria biografia.

No encerramento, os dois direitos de resposta permaneceram como ocorrências objetivas do programa. Samuel Costa recebeu um minuto para negar uma acusação financeira apresentada sem prova diante das câmeras. Marcos Rogério recebeu outro para corrigir, segundo sua versão, a atribuição individual de R$ 14 milhões e informar que sua participação havia sido de R$ 500 mil. A tentativa de Fúria de impor pressão aos adversários terminou oferecendo a ambos tempo exclusivo para contestá-lo.

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