O primeiro Encontro Técnico de Rotas de Transição Produtiva no Rio Grande do Sul começou, nesta quarta-feira (17/6), no Espaço Inovação da Secretaria Fazenda (Sefaz/RS), localizado na avenida Mauá, 1155, em Porto Alegre. O evento conta com programação até quarta-feira (18) e tem o objetivo de fomentar o debate sobre políticas públicas e investimentos em culturas prioritárias como soja, milho, trigo, arroz, uva, pecuária de corte e de leite voltadas ao planejamento territorial e econômico do Estado.
Durante dois dias, o encontro vai reunir pesquisadores, gestores públicos e instituições para debater o planejamento de políticas públicas e estratégias para a produção da agropecuária. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) participou da abertura do encontro.
O secretário da Seapi, Márcio Madalena, apresentou um painel no qual contextualizou os desafios enfrentados pelo produtor e as estratégias integradas para uma adaptação produtiva no RS. “É preciso nos organizarmos para termos políticas públicas capazes de dar as respostas necessárias, com estrutura firme em relação à agropecuária brasileira e gaúcha. Por exemplo, estamos sendo desafiados, neste momento, com a questão da renegociação de dívidas. Eu acredito que neste encontro nós formularemos políticas públicas compatíveis com o potencial agropecuário do RS”, enfatizou.
“Este é um esforço para a construção de uma base de conhecimento mais voltada à aplicação de métodos de incentivo que atendam às políticas públicas, com o objetivo de aproximar a agricultura e a agropecuária do RS da sustentabilidade, tanto na dimensão financeira quanto na climática, por terem participação relevante na economia do Estado”, ressaltou o o secretário-adjunto da Fazenda, Itanielson Cruz.
Projeto orienta estratégias para o futuro do campo
O primeiro Encontro Técnico de Rotas de Transição Produtiva no RS apresenta um projeto que combina três dimensões principais e dois temas transversais. No que diz respeiro às dimensões, o projeto está subdividido em: Climática, com ênfase no risco/aptidão; Produtiva, com destaque para soluções técnicas; e Econômica, com foco na viabilidade de negócios.
Quanto aos temas transversais, o projeto apresenta abordagens voltadas ao perfil do produtor e à dimensão sociodemográfica, buscando compreender a migração e o impacto no PIB gaúcho. O encontro terá formação de grupos temáticos voltados para essas áreas (climática, produtiva e econômica) com o objetivo de aprimorar as versões iniciais da modelagem de políticas públicas planejadas para serem apresentadas à população rural.
Ao explicar o Plano ABC+ RS , o coordenador do plano e engenheiro florestal da Seapi, Jackson Brilhante, apresentou painel sobre os “Impactos das mudanças climáticas na produção agropecuária do Estado” e contextualizou o desempenho e as dificuldades enfrentadas pela agropecuária. “No RS, os eventos extremos como estiagens, secas e enxurradas, estão presentes. Por que é importante saber isso para manutenção do solo? Como exemplo, considerando nove municípios produtores - Cruz Alta, Santo Ângelo, Três Passos, Santa Rosa, Passo Fundo, Santa Maria, Pelotas, Vacaria e Erechim -, emos indicadores de aumento de temperatura, maior aridez do solo e variações nos índices de precipitação, tanto abaixo quanto acima da média, nesses municípios produtores”.

Brilhante detalhou o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC). A meta, até 2030, é atingir boas práticas na agropecuária, com a difusão de tecnologias e a implementação de políticas públicas para a recuperação de pastagens em áreas degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), florestas plantadas, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, manejo da produção de origem animal, terminação intensiva (integrada) e uso de bioinsumos.
O coordenador da Seapi destacou que as tecnologias agropecuárias podem mitigar esses efeitos e fazem parte do Plano ABC+ RS. Também explicou a importância da cobertura do solo para auxiliar no armazenamento de água e lembrou que, de acordo com a Radiografia Agropecuária da Seapi (2025), a expansão de sistemas de irrigação no RS apresenta avanços, com números entre 20 mil e 30 mil hectares por ano no Estado.
Adaptação produtiva orienta estratégias para o campo
“A estratégia integrada de adaptação produtiva no RS depende da atividade agrícola, que, por sua vez, é influenciada pelas condições climáticas, e o mapa de perdas totais registrou, entre 2004 e 2024, aproximadamente 39% dos impactos causados por desastres naturais no RS (Atlas Digital)”, explicou o auditor-fiscal da Sefaz, Jorge Tonetto.
O pesquisador do Instituto para Governança Territorial e Políticas Públicas (iGPP), Ronaldo Torres, apresentou um modelo de leitura integrada das culturas prioritárias (cadeias produtivas estratégicas) e ações que podem ser priorizadas no RS para soja, milho, arroz, trigo, canola, pecuária de leite e de corte, além da produção de biocombustíveis, como biodiesel e etanol. Torres destacou que El Niño e La Niña são eventos meteorológicos que se apresentam como elementos centrais na quebra de safras no Estado e que territórios diferentes exigem estratégias diferentes, enfatizando que a estrutura produtiva deve aplicar e compatibilizar núcleos produtivos com características semelhantes para a construção de rotas de transição produtiva no RS.
A iniciativa busca planejar a transição produtiva como política pública territorial, orientada por riscos climáticos, viabilidade produtiva e capacidade de financiamento, como forma de resposta planejada aos eventos climáticos extremos, com a ampliação dos ganhos de produtividade e, consequentemente, da geração de empregos.
Sobre o projeto de Rotas de Transição de Culturas
O primeiro Encontro Técnico de Rotas de Transição Produtiva no Rio Grande do Sul foi organizado pelo núcleo executivo, formado por Tonetto; pelo coordenador do iGPP, Sérgio Paganini; e pelo diretor substituto do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi), Altamir Bertollo.
O Rotas de Transição Produtiva no Rio Grande do Sul – Subsídios técnicos para políticas públicas e investimentos pretende consolidar o planejamento de caminhos para que a produção agropecuária seja cada vez mais sustentável, unindo viabilidade técnica, socioambiental e econômica.
O projeto é uma iniciativa conjunta da Seapi, da Sefaz, do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e do Instituto para Governança Territorial e Políticas Públicas (iGPP/Esalq/USP). O Comitê Técnico Estadual (CTE) é formado por Embrapa, Emater-RS/Ascar, Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Sistema Ocergs, Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS).
Após os dias 17 e 18 de junho, também estão agendadas mais duas reuniões para os dias 10 e 27 de agosto.
Texto: Fabrízio Fernández/Ascom Seapi
Edição: Secom
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