A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) publicou, nesta quinta-feira (19), o novo Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral) , que traz um raio-x das diversas cadeias produtivas do Estado. O levantamento destaca a cunicultura (criação de coelhos), setor onde o Paraná figura historicamente como o detentor do terceiro maior plantel do país.
Em 2024, a atividade gerou uma renda bruta de R$ 1,815 milhão no Estado, com um efetivo de 24.170 animais e a produção de 145.660 kg de carne. Segundo o boletim, Foz do Iguaçu lidera o rebanho estadual com 17 mil cabeças, seguida por Francisco Beltrão e Salgado Filho. Além do mercado interno, o setor demonstra potencial exportador: em 2025, o Brasil registrou um crescimento de 145,5% no volume de carne de coelho embarcada para o Exterior.
O boletim do Deral também aponta que o Paraná reafirmou sua relevância nacional na produção de feijão, detendo a liderança absoluta com 22% de todo o volume produzido no Brasil. No entanto, o setor enfrenta desafios: dados mostram uma retração de 21,6% nas áreas dedicadas à cultura no Estado, com destaque para o recuo acentuado no feijão-preto (-27,6%).
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Além da menor área, a segunda safra recém-plantada começa a sentir os efeitos da falta de chuvas. O índice de lavouras em boas condições caiu de 94% para 86% na última semana. Essa perspectiva de menor oferta já impulsiona as cotações no mercado para o mês de março.
Para o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Hugo Godinho, o motivo do recuo no plantio do feijão é a readequação de área de safra que o Paraná está fazendo. “Isso já aconteceu na primeira safra e voltou a acontecer na segunda safra, para ofertar uma produção mais adequada à necessidade brasileira nesse momento”, explica.
“As safras anteriores, que foram muito boas, geraram um excedente momentâneo que está começando a se ajustar e deverá ser escoado ou no mercado interno ou via exportações. Prova disso são os preços que já estão ficando mais atrativos nesse momento para o produtor e podem, inclusive, fazer com que as áreas das próximas safras de feijão sejam maiores”, diz Godinho.
HORTALIÇAS- O boletim também detalha o desempenho da olericultura paranaense, que em 2024 alcançou uma colheita de 2,9 milhões de toneladas e um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 7,1 bilhões. As hortaliças tuberosas, como batata e mandioca, são os grandes destaques, ocupando 53,6% das superfícies cultivadas e respondendo por 44,1% do VBP do setor.
Já as hortaliças-fruto, lideradas pelo tomate, apresentaram o maior preço médio por quilo (R$ 3,11), seguidas pelas herbáceas (R$ 2,91) e tuberosas (R$ 2,01). Juntas, as 15 principais espécies acompanhadas pelo Deral representam 82,4% do VBP total da olericultura estadual.
CARNE– A suinocultura enfrentou um recuo cíclico na rentabilidade no início de 2026. O lucro do produtor em fevereiro fechou em R$ 0,72/kg, uma queda de 25,2% em relação a janeiro, motivada pela redução no preço do suíno ser mais intensa do que a queda nos custos de produção.
Na bovinocultura, o cenário é de expansão. Em 2025, o abate de bovinos no Paraná cresceu 11,8%, atingindo 1,64 milhão de cabeças, superando o ritmo de crescimento nacional. No setor de frangos, o custo de produção em fevereiro foi de R$ 4,72/kg, valor que empatou com o preço nominal médio recebido pelo produtor. O Estado mantém competitividade, apresentando custos inferiores aos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O boletim menciona ainda a coturnicultura (codornas), setor em franco crescimento que gerou um VBP nacional de R$ 600,7 milhões em 2024, impulsionado pelo pelo alto valor nutricional e expansão do consumo de ovos.
GRÃOS- O documento do Deral também monitora o avanço da safra de soja e milho 2025/26. A colheita da soja atingiu 70% dos 5,77 milhões de hectares previstos, ritmo ligeiramente inferior aos ciclos anteriores, quando o percentual já superava os 80%.
O milho de primeira safra segue tendência semelhante, com 83% da área colhida. Já o plantio do milho segunda safra alcançou 83% dos 2,86 milhões de hectares estimados.
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