Na cultura, na política, na educação e na história, mulheres que marcam merecem reconhecimento

Entre essas pioneiras está a professora Marise Castiel, lembrada por sua dedicação à educação, à cultura e à política. Segundo o historiador Aleks Palitot, Marise Castiel nasceu no Amazonas e chegou à região para contribuir inicialmente na transformação da educação durante o Território Federal do Guaporé, atuando posteriormente em diversas áreas de Porto Velho.
“Além do papel na educação, Marise Castiel deixou seu legado na cultura. Foi fundadora da escola de samba Pobres do Caiari e também assinava samba-enredo e elaborava alegorias. Na política, foi eleita a primeira vereadora mulher da história do município”, destacou o historiador.

Outra figura marcante é Mãe Esperança Rita, liderança religiosa que ajudou a organizar principalmente a comunidade negra e as práticas culturais e espirituais no início da formação de Porto Velho. Sua atuação extrapolou a religiosidade, representando também apoio social e fortalecimento da identidade cultural de muitos moradores. Foi homenageada com seu nome na Maternidade Municipal de Porto Velho.
“Ela foi uma das primeiras parteiras da região, por isso a homenagem na maternidade. Mãe Esperança, além de ser uma liderança importante de matrizes africanas, desenvolveu diversas atividades que reuniam inclusive autoridades no bairro Mocambo”, destacou Aleks Palitot.
O historiador também ressalta a contribuição de Úrsula Maloney, natural de Porto Velho, educadora pioneira que contribuiu significativamente para o desenvolvimento da educação na cidade. Além do trabalho em sala de aula, destacou-se na preservação da história das famílias barbadianas que ajudaram a construir o município.
MEMÓRIA VIVA

Além das mulheres que já faleceram e deixaram legados importantes, é fundamental reconhecer aquelas que também construíram suas trajetórias com dedicação e continuam vivas. Entre elas, Janilene Vasconcelos se destaca: em 1984, marcou a história política de Rondônia ao tornar-se a primeira mulher a assumir, de forma interina, o governo do estado, reforçando o protagonismo feminino em espaços historicamente dominados por homens e abrindo caminhos para novas lideranças.
O patrimônio histórico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é símbolo da memória e da engenharia em Rondônia, e Antônia Lúcia Palitot se destacou como a primeira mulher a ocupar um cargo tão relevante na engenharia ferroviária. Na década de 1980, ela contribuiu diretamente para a restauração da ferrovia durante o governo do Jorge Teixeira de Oliveira.
“Ela foi contratada pelo governador, quando houve um pedido da população para a reativação do complexo. Foi uma personalidade importante, porque liderou 300 homens em um ambiente extremamente masculino. Por isso, a engenheira ficou marcada pela sua bravura e pela história da nossa cidade”, finalizou o historiador.

De acordo com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, mais do que nomes registrados na história, essas mulheres representam a força feminina que ajudou a moldar a identidade da cidade.
“Reconhecer o legado dessas histórias é também valorizar a participação das mulheres na construção da sociedade rondoniense. São histórias de dedicação e coragem que merecem todas as homenagens e continuam inspirando novas gerações”.
Texto:André Oliveira
Edição:Secom
Foto:José Carlos
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)
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