O ciclo de implementação da rastreabilidade bovina no Rio Grande do Sul e sua relevância para o fortalecimento da defesa sanitária e da competitividade do setor foram debatidos nesta quarta-feira (25/2), durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão. O painel ocorreu na Arena de Inovação e foi coordenado pelo governo estadual, por meio da pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), responsável pela condução do projeto-piloto no Estado.
O secretário-adjunto da Agricultura, Márcio Madalena, destacou que o trabalho de implantação da rastreabilidade bovina no Estado começou da porteira para dentro, com diálogo direto com os produtores para compreender a realidade das propriedades. Ele explicou que a estratégia está estruturada em três etapas: aprimoramento do sistema de defesa animal; testagem prática do sistema nas propriedades participantes do projeto-piloto; e, por fim, consolidação e implementação do programa definitivo. “A ideia é testar a campo, construir junto ao setor produtivo e, a partir dessa experiência, formatar o modelo mais adequado à realidade do Estado”, afirmou.
Com o tema “Rastreabilidade bovina: projeto-piloto do RS”, o encontro reuniu além de Madalena; o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso; o pecuarista e presidente do Conselho Técnico Operacional para Pecuária de Corte do Fundesa, Pedro Piffero; e a fiscal estadual agropecuária da Seapi, Rosane Collares.
Antecipar a implementação
Segundo Madalena, a intenção é antecipar a implementação em relação ao prazo nacional estabelecido para 2033. Para ele, a medida pode posicionar o Rio Grande do Sul de forma mais competitiva nos cenários nacional e internacional. “Ao nos anteciparmos, fortalecemos a cadeia produtiva da pecuária e ampliamos as oportunidades de acesso a mercados”, pontuou.
O secretário-adjunto reforçou que a rastreabilidade tende a agregar valor à carne, possibilitando melhor remuneração ao produtor. “Trata-se de abrir portas, qualificar a produção e garantir que o pecuarista ganhe mais com aquilo que produz”, concluiu.
Rosane lembrou que a rastreabilidade não é um tema novo para o Estado nem para o setor produtivo e que a exigência parte, sobretudo, do mercado internacional. “É uma demanda dos parceiros externos e precisamos responder a isso”, destacou.
Ela citou que o projeto-piloto foi lançado em 2025 e que o Estado já vinha avançando em diferentes frentes. Um dos exemplos é o sistema adotado na pecuária leiteira desde 2017, que trouxe resultados positivos e serviu de base para o modelo atual. A partir dessa experiência, foi estruturado o projeto voltado à bovinocultura de corte.
Programa “pé no chão”
Para a fiscal estadual agropecuária, o principal desafio é equilibrar as exigências dos compradores internacionais com a realidade do campo. “Precisamos atender ao que o parceiro internacional requer, mas com um modelo simples, que não afaste o produtor”, afirmou. Segundo ela, o compromisso é entregar um programa de rastreabilidade “pé no chão”, viável e adaptado às características da pecuária gaúcha.
Cardoso ressaltou que a rastreabilidade é um caminho sem volta para o setor agropecuário. Segundo ele, a adoção de sistemas que permitam acompanhar a origem e o histórico da produção é fundamental para garantir segurança tanto ao produtor quanto ao consumidor. “A rastreabilidade agrega confiança, transparência e valor à produção. Ela protege quem produz, ao oferecer informações claras sobre os processos adotados, e assegura ao consumidor a procedência e a conformidade do alimento que chega à sua mesa”, afirmou o representante da Embrapa.
Atualmente, o projeto-piloto de rastreabilidade bovina do Rio Grande do Sul conta com 50 propriedades voluntárias, selecionadas para testar a aplicação de brincos de identificação individual dos animais e a integração das informações ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA), plataforma que será utilizada para o registro oficial.
Sobre o projeto
A iniciativa está alinhada ao Programa Nacional de Identificação e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com participação dos Estados e de entidades representativas do setor. O programa estabelece um cronograma de sete anos para adaptação, com previsão de adoção obrigatória da rastreabilidade individual a partir de 2033.
A rastreabilidade individual permite acompanhar todo o ciclo de vida do animal — do nascimento ao abate — por meio de um número de identificação único, registrado em brinco ou bóton eletrônico. O sistema reúne informações como raça, idade, vacinação e movimentações, integradas a uma base de dados oficial.
Entre os principais objetivos estão o fortalecimento do controle sanitário, a ampliação da transparência na cadeia produtiva e o aumento da segurança e da competitividade da produção pecuária gaúcha, especialmente em mercados cada vez mais exigentes quanto à origem e à conformidade dos produtos.
Texto: Elstor Hanzen/Ascom Seapi
Edição: Secom
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