Duas produtoras de bicho-da-seda do Paraná embarcam nesta quarta-feira (19) rumo à França, onde participarão da “Silk in Lyon” - o Festival da Seda de Lyon, um dos principais eventos mundiais do setor. Elas representarão o Estado no evento, que acontece de quinta-feira a domingo (20 e 23 de novembro). A viagem foi o prêmio que Diovane Plep Machado Moro, de Palmital, e Maria Rosa Pires de Sousa, de Godoy Moreira, receberam no Concurso Seda Paraná, iniciativa inédita que valoriza as mulheres envolvidas na cadeia da sericicultura.
A promoção é do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e o Gabinete da Primeira-Dama, Luciana Saito Massa. A viagem como prêmio objetiva proporcionar às sericicultoras uma imersão no mundo da seda, mostrando como o trabalho delas se conecta com a indústria de moda de luxo internacional.
“A principal característica desse concurso é dar visibilidade a esse setor tão importante da economia paranaense, principalmente porque a produção da amora e do bicho-da-seda é feita por pequenos produtores, que moram e produzem em sua propriedade e que têm a possibilidade de ter uma renda melhor”, ressalta o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes. “O projeto é fundamental porque com a melhora da qualidade da seda, podemos colocar esse produto em muitos mercados do mundo e com alto valor agregado”.
Além da visita ao atelier e a tecelagem industrial da grife Hermès, onde o fio produzido aqui no Paraná é transformado em itens de luxo, Diovane e Maria Rosa também vão conhecer o museu da história da seda de Lyon e o mercado gastronômico da cidade.
Para as duas, a premiação é uma oportunidade para conhecer toda a cadeia produtiva da seda. “Espero que eu aprenda bastante lá para voltar e contar aos outros produtores o que eu vi, o que eu aprendi. Colocar em prática aqui na minha produção e conseguir produzir melhor ainda”, afirma Diovane Plep Machado Moro, primeira colocada no concurso.
O sentimento é o mesmo de Maria Rosa Pires de Sousa, do município de Godoy Moreira, que ficou em segundo lugar. “Quero usar o que eu vou aprender lá e o que eu vou ver para aumentar a produção. Estamos planejando plantar mais um pouquinho para aumentar o meu barracão”, explica.
Uma semelhança entre as duas produtoras é o fato de nunca terem viajado de avião e nem para o Exterior. E uma diferença é quem elas vão levar como acompanhante. “Vou eu e o meu marido. Ele não está muito tranquilo porque não gosta de sair quase. Está pensando no nosso piazinho, que tem quatro anos”, afirma Diovane. O Dionatan e o irmão David, de treze anos, vão ficar com a avó paterna, que mora ao lado. Para poderem viajar, Diovane e o marido Adriano diminuíram um pouco a produção que têm na propriedade de 1,8 hectare há treze anos.
Já o marido de Maria Rosa não vai poder acompanhá-la. “O Hélio não vai porque estamos com bicho-da-seda na quinta idade e temos criação pra cuidar. E também o nosso filho Rafael, de doze anos. Deixar criança sozinha em casa é complicado, por isso quem vai comigo é minha amiga Léia”, afirma Maria Rosa, que na verdade vai levar mais um acompanhante, no ventre. Ela está grávida de 14 semanas, uma alegria a mais para quem optou pela sericicultura há dois anos justamente pra poder trabalhar e acompanhar de perto o crescimento do filho.
CONCURSO SEDA PARANÁ – O concurso Seda Paraná foi promovido em agosto de 2025. Foram selecionadas 10 finalistas entre 430 produtoras de 80 cidades que se inscreveram. Os principais critérios para a seleção foram o volume de produção de casulos de primeira por área de amoreira – árvore cujas folhas são utilizadas para a alimentação do bicho-da-seda – e o teor da seda produzida.
A primeira-dama Luciana Saito Massa ressaltou que a iniciativa também busca incentivar a produção de seda no Paraná, já que é uma atividade rentável e sustentável, principalmente para as mulheres do campo. “Tive a oportunidade de visitar o Festival da Seda e, ao ver de perto esse trabalho, pensei que as produtoras paranaenses também deveriam participar desse evento. Porque é o trabalho diário delas que faz com que a seda do Paraná seja transformada em verdadeiras obras de arte. É orgulho ver que as mulheres estão à frente dessa produção”, destaca.
PRODUÇÃO– De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento, o Paraná é o maior produtor de fio de seda do Brasil, responsável por 86% da produção nacional, que é exportada para países como França, Itália, Índia, Japão e China. A matéria-prima paranaense é utilizada inclusive por grandes grifes, como a francesa Hermès.
No ano passado, o Valor Bruto da Produção (VBP) atingiu R$ 44,4 milhões, com a produção de 1,35 mil toneladas de casulos e 2.460 hectares de amoreiras plantadas. O trabalho de criação de bicho-da-seda no Estado é feito principalmente por agricultores familiares, envolvendo cerca de mil famílias de 184 cidades.
PROGRAMA – O governo do estado desenvolve, por intermédio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o programa Seda Paraná para promover e estimular a produção, valorizando especialmente o trabalho das mulheres na sericicultura. O programa busca o fortalecimento da atividade, com apoio aos produtores e o redesenho do processo de produção e fabricação, envolvendo pesquisas para melhorar
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