Os baixos índices do inseto podem ser mantidos através do manejo químico, complementado com o biológico
O levantamento realizado pelo Programa Monitora Milho SC, entre os dias oito e 15 de setembro, aponta que a média estadual de cigarrinhas-do-milho está abaixo de cinco por armadilha por local. O valor está dentro do esperado para o período, segundo a média histórica.
Entretanto, pela segunda semana consecutiva, os municípios de Concórdia, no Oeste, e Benedito Novo, no Vale do Itajaí apresentaram maior concentração de cigarrinhas. Segundo a pesquisadora da Epagri/Cepaf, Maria Cristina Canale, responsável pelo programa Monitora Milho SC, os municípios com maior presença do inseto vetor devem redobrar a atenção e realizar o manejo químico das lavouras. Maria Cristina salienta que os baixos índices podem ser mantidos através do manejo químico, complementado com o biológico, sempre que possível. “A intervenção química realizada pelos produtores diminui o risco de inoculação das plantas com os patógenos dos enfezamentos e viroses. Isso porque, embora a cigarrinha encontrada nas lavouras possa estar infectada, ela nem sempre está apta a inocular as plantas, uma vez que o período de latência das bactérias dentro do inseto vetor é longo”, diz.
No momento, a maioria dos locais analisados se encontra na fase de implantação da cultura. No entanto, em alguns municípios, o plantio já está emergindo, com lavouras em estágios entre V2 e V4, considerados os mais críticos para a inoculação dos patógenos. Maria Cristina alerta que as viroses e bactérias transmitidas pelo inseto só serão observadas em campo muito tempo depois, quando a planta já estiver em desenvolvimento. “A bactéria dos enfezamentos tem um longo período de incubação, se a planta for inoculada em V2, ela só vai apresentar sintomas depois de 60 dias, por isso é importante estar atento à quantidade de cigarrinhas e realizar o manejo da lavoura”, explica Maria Cristina.
As análises laboratoriais detectaram a presença da bactéria do espiroplasma do enfezamento pálido, nas cidades de Guatambu e Planalto Alegre, no Oeste e, em Rodeio, no Vale do Itajaí. Também foram identificados os vírus do raiado fino e do mosaico estriado em municípios do Oeste de Santa Catarina.

O programa Monitora Milho SC coleta e divulga semanalmente informações de todo o estado, permitindo que o setor produtivo acompanhe a evolução da população de cigarrinhas e as infecções causadas por esses insetos.
O ataque de cigarrinhas infectadas com os patógenos dos enfezamentos pode comprometer substancialmente a produção de lavouras de milho. Para acompanhar a situação, foi criado no começo de 2021 o programa Monitora Milho S C .
Para ajudar a cadeia produtiva no monitoramento e controle desse inseto em Santa Catarina, os produtores podem acessar informações no aplicativo Epagri Mob.
O app, disponível para download gratuito , permite aos produtores e técnicos acompanhar a incidência da cigarrinha-do-milho em Santa Catarina para tomar decisões mais precisas sobre o manejo. Essa ferramenta também traz informações sobre a infectividade da cigarrinha com os patógenos do complexo do enfezamento: fitoplasma do enfezamento vermelho, espiroplasma do enfezamento pálido e vírus-da-risca.
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