Justiça mantém presa filha acusada de mandar matar a mãe para ficar com a herança
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010Desembargador também negou liberdade ao genro que teria participado da trama para assassinar a sogra na cidade de presidente Médici.
O desembargador Valter de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Rondônia, negou, no dia 30 de dezembro, liminar em pedido de habeas corpus impetrado pelo advogado Reginaldo Ferreira Lima em favor de Elizângela Patricia Cardoso, acusada pela polícia e o Ministério Público Estadual de ter mandado matar a própria mãe, a professora aposentada Maria das Graças Cardoso, assassinada por pistoleiro no dia 27 de outubro de 2009, no município de Presidente Médici.
A professora foi morta e seu marido, Lourival Cardoso, escapou com ferimento. Elizângela teria contratado os pistoleiros para matar a própria mãe a fim de ficar com a herança.
Seu marido, Claudemir Guimarães Cordeiro, acusado de participar da trama que resultou na morte da sogra, também teve habeas corpus negado pelo desembargador Valter de Oliveira.
No habeas corpus, o advogado de Elizângela e Claudemir Guimarães Cordeiro alega que o casal foi preso no momento em que se abrigava da chuva na casa de um amigo, identificado por “Dr. José Serra”, em razão de serem suspeitos da morte de Maria das Graças e da tentativa de homicídio contra Lourival (pais de Elizângela e sogros de Claudemir).
A defesa sustenta que o casal não teve participação nos crimes. “Os dois acusados só ficaram sabendo do ocorrido por volta de 7h40min da manhã, sendo que, logo em seguida, se deslocaram ao local dos fatos e observaram que as vítimas teriam sido socorridas”.
Ademais, estariam presentes os requisitos para responderem o processo em liberdade, “ por serem tecnicamente primários (sem antecedentes criminais), possuírem bons antecedentes, residência fixa e trabalho lícito”. Para a defesa de Elizângela e Claudemir, os dois estão “ sofrendo constrangimento ilegal, por falta de justa causa para a prisão”.
DECISÃO
“A concessão de liminar em habeas corpus é medida excepcional, que exige a constatação inequívoca de manifesta ilegalidade. No caso, não vislumbro presente, pelo menos por hora, de forma satisfatória, informações robustas e suficientes para a concessão da liminar pleiteada, razão pela qual a denego”, anotou o desembargador em seu despacho negando a ordem de liberdade ao casal.
O magistrado requisitou informações ao Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de Presidente Médici, que determinou a prisão de Elizângela e do marido, e mandou encaminhar o processo ao Ministério Público para parecer.
ENTENDA O CASO Por volta das 07 horas da manhã do dia 27 de outubro de 2009 , quando saiam do seu sítio, Lourival Cardoso e sua mulher foram emboscados na porteira por um elemento que efetuou vários disparos de arma de fogo, acertando o veículo, atingindo o sitiante na mão e a sua esposa no tórax.
Em uma ação conjunta, policiais civis e militares de Presidente Médice prenderam em flagrante todos os acusados de envolvimento no homicídio e na tentativa de homicídio.
Mesmo sendo socorrida, a professora não resistiu ao ferimento. O autor dos disparos, Diego Santos Inácio , o “Febem”, 18, saiu correndo e se refugiou na mata nas proximidades.
Por volta das 16 horas, após forte chuva, o acusado de efetuar os disparos saiu da mata para tentar chegar à cidade, acreditando que a polícia já não estaria mais no local devido à chuva, porém foi preso por policiais civis que estavam de “campana”.
Na cintura do acusado foi encontrada a arma do crime, um revólver calibre 38 . No interrogatório, Diego Santos Inácio confessou ter cometido o crime e que teria sido contratado por Odenir José Ribeiro Neto, o “ Nenen da Mabel”, na cidade de Dourados-MS, a mando de Claudemir Guimarães Cordeiro e Elizângela Patrícia Cardoso , respectivamente genro e filha das vítimas, para ficar com a herança da família.
Todos foram presos logo em seguida; Odenir, na cidade de Dourados-MS, e o casal , na cidade de Presidente Médice.
Diego Santos Inácio, o acusado de matar a professora e ferir o marido dela, confessou ao delegado da Polícia Civil Adilson Almeida ter participado de um duplo homicídio na cidade de Itaporã/MS, onde também já foi indiciado por formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Naquela cidade, segundo confessou ao delegado, ele teria praticado vários crimes quando ainda era menor de idade.
CRIME TERIA CUSTADO R$ 6 MIL
Durante as investigações, outras pessoas foram presas. O Ministério Público de Rondônia, por meio da Promotoria de Justiça de Presidente Médici, denunciou à Justiça Claudemir Guimarães Cordeiro, Elizângela Patrícia Cardoso, Diego Santos Inácio, O “ FEBEM”, e Odenir José Ribeiro Neto, O “ Nenê da Mabel”, pelo assassinato da professora. Eles também foram denunciados pela tentativa de assassinato de Lourival Cardoso, marido de Maria das Graças Cardoso.
Segundo o MP, constatou-se que Claudemir Guimarães Cordeiro e Elizangela Patricia Cardoso, com intenção de matar, a fim de ficarem com a herança, contratraram Odenir José Ribeiro Neto, pelo valor de R$ 6 mil, para que este executasse ou arrumasse alguém para executar a vítima Lourival Cardoso, pai de Elizangela e sogro Claudemir. Edenir, por sua vez, contratou Diego Santos Inácio, o que foi preso após sair da mata onde havia se escondido depois que atirou na professora e no marido dela.
A Promotora de Justiça Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral também requereu à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos denunciados, oficiando para as operadoras de telefonia celular a solicitação de informações sobre os números de telefones dos envolvidos, bem como as chamadas recebidas, realizadas e não atendidas dos terminais informados, desde maio de 2009 até a data do crime.


