opinião

Morte sem moderação

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os fabricantes de bebidas alcoólicas deveriam ser os primeiros a pedir leis mais rigorosas para punir motoristas embriagados. A razão é simples: a cada motorista morto, essas fábricas perdem um cliente fiel e contumaz, que poderia beber (muito) por um longo período, talvez décadas. Ou seja: estão perdendo dinheiro com tantas mortes no trânsito.

As seguradoras também pagam um preço muito alto. Seja no seguro de vida, seguro contra terceiros, seguro por invalidez ou seguro do veículo, essas empresas pagam cifras milionárias todos os anos. Tudo por causa da “marvada” pinga.

No Brasil, campeão mundial de acidentes, é possível comprar cerveja gelada em postos de gasolina e até em farmácias! Outro dia, um sujeito explicou ao farmacêutico o motivo de estar comprando três latas de cerveja no estabelecimento: “é pra curar o stress!”

A lei no Brasil simplesmente não é cumprida. A Lei Seca criou um estardalhaço, mas hoje quase não se fala mais sobre isso. Quem nunca ouviu de motoristas bêbados que abandonaram suas vítimas para morrer? Se houvesse bom-senso, todo sujeito embriagado ao volante seria detido e o veículo levado a leilão.

Faltando um mês para o Carnaval, fica a sugestão para um lobby das cervejarias, seguradoras e postos de gasolina (que também perdem motoristas e clientes “bebedores”). Só não ficarão muito satisfeitos os donos das farmácias de “conveniência”. Nesse caso, os lucros com os acidentados ainda são mais interessantes.

Sandro André

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