Pacientes enfrentam 200 km de sofrimento na luta contra doenças renais crônicas
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sem uma clínica de hemodiálise em Ariquemes desde o ano passado, pacientes com doenças renais crônicas enfrentam uma triste rotina de viagens para Porto Velho, três vezes por semana, onde encontraram o serviço especializado para continuarem vivendo. Sem o tratamento, a morte deles ocorreria em poucos dias.
O percurso de 200 km é recheado do sofrimento em dor. Além de suportarem a debilidade física provocada pela doença, os pacientes renais crônicos enfrentam o cansaço da longa viagem pela rodovia esburacada. O sofrimento é compartilhado por 50 pacientes da região.
O drama dos doentes despertou representantes da sociedade ariquemense, que na tarde de quinta-feira (12) se reuniram na Associação Comercial e Industrial de Ariquemes (ACIA) para encontrar uma solução para o problema.
A reunião foi motivada pela professora universitária, Rosiele Alves Chiaratto, que nos últimos meses também exerceu a função de secretária municipal de Saúde. “Eu acompanhei de perto boa parte do sofrimento desses pacientes e sei que não é fácil essa rotina que eles precisam enfrentar. Eles realmente lutam para continuar vivos”, explicou.
Cientes do problema, que pode ocorrer com qualquer cidadão, empresários, representantes políticos e de clubes de serviço, tais como Lions Clube e Maçonaria, decidiram assumir o compromisso de construir uma clínica de hemodiálise em Ariquemes.
A iniciativa já encontrou apoiadores. A construtora Coliseu assumiu o compromisso de doar o terreno para a construção da unidade hospitalar. O grupo de voluntários também decidiu fazer mobilização para arrecadação de recursos financeiros durante a Expoari, entre os dias 21 e 29 deste mês.
A ideia dos voluntários é construir uma clínica de hemodiálise para atender 100 pacientes, pensando na possibilidade do número de doentes renais crônicos aumentar na cidade, bem como na vinda de pacientes de outros municípios para Ariquemes.
O projeto de construção e as campanhas de sensibilização da população já estão sendo planejados com as entidades parceiras. O desejo é de que a obra seja construída em 12 meses e assim que o complexo estiver concluído será destinado para a administração da Associação dos Amigos e Portadores de Doenças Renais Crônicas.
O presidente da ACIA, Jonas Perutti, disse que a iniciativa vai sanar de uma vez por todas o problema da falta de atendimento especializado para doentes renais crônicos. “Se uma pessoa saudável viajar uma vez por semana para Porto Velho já é desgastante, imagina só ter que viajar doente três vezes por semana e doente”, ponderou Perutti.


