Léo Ladeia – O Brasil na moita vai trocando as bolas

Frase do dia

“Como a moda é invadir competências, se um ministro do STF tem poder de anular a vigência de uma lei, logo o Congresso vai achar uma boa ideia votar decretos legislativos anulando decisões do Supremo.”– Claudio Humberto, jornalista

1-Vida inteligente no STF

Depois de rés e rapapés o ministro Luiz Fux mandou “pra casa do crica” a ideia marrom freixista do juiz de garantias, até que o pleno do STF julgue as ações sobre o instituto na Corte. Sem o prazo de seis meses e a confusa comissão, o relator Fux vai decidir o destino da infernal ideia. Como o clima no STF varia da perplexidade à angústia e decepção, sugiro o dantesco aviso na porta e em bom italiano como gostam as excelências: “Lasciate ogni speranza voi che entrate”. O Fux é contrário ao juiz de garantias. Estamos com ele. Aliás, “In Fux ci fidiamo”.

2-Um pouco mais disso aí

Mas não foi só juiz de garantias. Fux avançou no tema e adiou a aplicação de três pontos do pacote: novas regras para arquivamento de inquéritos, ilegalidade de prisões caso os detidos não passem pela audiência de custódia em até 24 horas e proibição para que os juízes decidam processos nos quais acessaram provas tidas como inadmissíveis. Para quem arrota garantismo no STF, a ação do Fux é uma paulada jurídica e, para a banda do Congresso que flerta com a impunidade é um farol de aviso aos navegantes da nau dos insensatos. O povo não é besta!

3-O rei enquadrado

O Brasil na moita vai trocando as bolas. Por inapetência do Congresso o Executivo legislou a rodo com MP’s gerando a judicialização de quase tudo, chegando ao ativismo judiciário e à desarrumação do tais freios e contrapesos com cada poder se achando a “pedra”. Com o freio de arrumação do Fux, Rodrigo Maia que se beneficia da forma como está, pulou como saci na brasa. “Acho que a decisão do ministro Fux é desnecessária e desrespeitosa com o Parlamento brasileiro, com o governo brasileiro e com os outros Poderes, gera perplexidade e indignação do Congresso e é mau sinal para investidores”. Ora Botafogo… vindo de quem vem, nós sim é que deveremos ficar de olhos bem abertos, perplexos e indignados. Haja óleo de peroba.

4-Moro na linha de tiro 

A banda da política que busca se livrar da justiça e outra que busca um lugar ao sol na política, Moro virou o pombo a ser abatido. Ibaneis Rocha, Rodrigo Maia, colegas de ministério, parte do Poder Judiciário e personagens de vários partidos ensaiam a rebelião da “causa libertadora do MJSP”. Para separar justiça de segurança pública foram ao Capitão já andou namorando a ideia antes de namorar Regina Duarte. Moro é aprovado pelo povo que sonha em vê-lo num cargo maior, até como presidente. Seu cacife é o passado como juiz e o presente com redução de crimes. Para a “tchurma do ele não” o caminho é cortar suas asas para reduzir a aprovação e lá foram também aos secretários de segurança estaduais buscando apoio, sem sucesso. E como é guerrilha vale tiro, faca de ponta, fake news, chute e rasteira. Não vai ser mole não…

5-Execração pública

Não chega a ser novidade que um político seja execrado a partir de alguma operação policial. Hermínio Coelho é um exemplo de operação mal sucedida. Ontem o deputado Marcelo Cruz sofreu segundo diz, “lamentável execração pública”, apesar do GAECO ter mantido seu nome sob sigilo. É que o tema vazou e nas redes sociais o deputado apanhou mais que tapete em dia de faxina. Toda pessoa pode sofrer denúncias, infundadas ou não, mas se detém cargo público, mais que qualquer outra é obrigada a prestar contas. Presunção de inocência e defesa ampla são asseguradas. Urge então que o deputado detalhe os valores usados, os ressarcidos e que o GAECO apresente as provas, já que a sociedade é que paga a conta de ambos. Tranchan!

Autor: Léo Ladeia

Colunista – Política & Murupi

leoladeia@hotmail.com