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Emissora mexicana deixa tela em preto em protesto contra sequestro de jornalistas

sábado, 31 de julho de 2010

Pelo menos nove profissionais da imprensa já foram mortos neste ano no país.

O canal mexicano Televisa, a maior emissora de TV em língua espanhola, deixou a tela em preto durante uma hora de transmissão na noite de quinta-feira, em protesto pelo sequestro de quatro jornalistas do país, dois deles desse canal, por parte do crime organizado.

Os jornalistas, um dos quais já foi libertado, foram sequestrados na segunda-feira, no Estado de Durango, por um grupo criminoso que exige que sejam divulgados três vídeos denunciando a cumplicidade entre autoridades locais e seus inimigos do cartel narcotraficante Zetas.

— Transmitir um programa nessas circunstâncias é impossível e um risco, não apenas para aqueles que permanecem detidos, mas também para todos aqueles para os quais nos dedicamos no exercício jornalístico — afirmou Denise Maerker, âncora do programa Punto de Partida, da Televisa, antes de a tela ficar totalmente preta, quase à 0h.

Pouco antes, no canal a cabo Milenio, no qual trabalha outro dos operadores de câmera sequestrados, o âncora Ciro Gómez decidiu ceder seu espaço na apresentação de notícias em protesto pelo sequestro, e pediu ao governo que assuma sua responsabilidade no caso.

— Um meio de comunicação não é projetado nem equipado para negociar uma tomada de reféns — disse.

O grupo Multimedios-Milenio admitiu na quarta-feira ter exibido os vídeos em uma transmissão local para a região onde ocorreu o sequestro.

A Sociedade Interamericana de Imprensa pediu nesta sexta-feira ao governo mexicano que atuasse para garantir a vida dos jornalistas que continuam sequestrados: os câmeras Jaime Canales, da Miltimedios-Milenio, e Alejandro Hernández, da Televisa, e o repórter Oscar Solís, do jornal El Vespertino.

Outro jornalista da Televisa, Héctor Gordoa, libertado na quinta-feira, disse que seus colegas estavam em boas condições de saúde.

Esta é a primeira vez que um grupo mexicano faz uma exigência aos veículos de imprensa para condicionar a libertação de reféns. O México, onde pelo menos nove jornalistas foram assassinados neste ano, é considerado em vários relatórios internacionais o país mais perigoso para a imprensa no continente.

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