Confúcio Moura diz que dá pra fazer melhor: Bom administrador é aquele que controla a despesa. Centavo a centavo.
sábado, 13 de dezembro de 2008Vou falar o que sinto. Que me vem de dentro. O que se diz, de costume, é que o dinheiro é pouco para a saúde. Eu digo que não. O dinheiro dá. A gente arrecada bem. Gasta mal. Dá para melhorar e muito. O pessoal da saúde deve se desacomodar. O mundo mudou. O pessoal chia e grita. O povo tem direito. Está na Constituição e pronto. Não é um funcionário qualquer que irá tirar o direito do cidadão.
Bom administrador não é o que tem grande receita. Nem o que gerencia o excesso. Bom administrador é aquele que controla a despesa. Centavo a centavo. Vigia tudo. Lápis e caderno à mão o dia todo. Ariquemes tem um peito farto pra mamar. Que não falta leite. É o Ministério da Saúde. Ele é grande e leitoso. Pode-se chupar dele além do leite, o iogurte.
A saúde é uma grande pizza. Todo mundo quer tirar um pedaço. Dá-me o meu? E leva o seu. Às vezes nem sobra um pedacinho para o doente. A folha de salário nas nuvens. Raspando o céu. O custeio alto e desprogramado. E lá vai e lá vai. E sai da frente. Todo mundo estressado. Falta e isto e falta aquilo. E se quebra o instrumento de trabalho. E pára tudo. Resumo – onde não se planeja a mudança, impera a desordem. Onde não há regra clara, alguém cria a sua regra. Do seu jeito. Daí algum tempo, o que vale é a regra errada. A desrregra. A desgraça.
Chegou a hora de falar assim: – eu vou mudar. E se deixar levar no topo da onda. A onda do SEBRAE. Da boa gestão. A de fazer a coisa bem feita. Fazer bem feito sempre. Não se pode gastar energia à toa. Energia é vida. Cada servidor da saúde é importante. Como num time de futebol. Todo mundo deve jogar. Jogar pra ganhar. O elo prende um ao outro. Não pode romper o elo. Mude meu amigo, mude. Senão você mofará. Depois do mofo irá para o arquivo morto. Dele ao cemitério.
Houve evolução no tempo. Melhorou o ambiente e o serviço. Mas, falta muito para se dizer que a saúde publica de Ariquemes vai bem. E olha aqui, quem está falando – é o prefeito. Nem deveria falar uma coisa desta. Mas, falo. Por que esta situação? A minha força puxa pra cima. A minha força manda fazer. A minha força quer romper o muro. A minha força… Esbarra na antiforça. Na antiforça que não quer que nada mude. Na antiforça dos usos costumes. Na antiforça da regra criada pela ausência de norma. Prevalece a antinorma. Eu quero 100 consigo 10. Agora resolvi partir ao ataque, ninguém vencerá a minha força. Nem muro. Nem montanha. Nem rio. Só se for uma procela, como a de Santa Catarina.
É chefe e mais chefe. Cacique demais. Chefe que não chefia. Chefe que faz arrelia. Chefe que não é justo. Que joga sujo. Que dá mau exemplo. Que tem dois pesos e duas medidas. Assim não dá. Chefe do chefe do sobrechefe. Contrachefe do chefe. Do chefete. Chefe. Chefe. Chefe. Enche o saco de tanto chefe. A regra é básica – para ser chefe deve dar exemplo. Roer no seu próprio osso. Além do mais é a onda de fuxico. Todo mundo fala mal de todo mundo. É uma novela. Um ciúme doentio. A conversa preferida é – e contracheque já saiu? Será que deram as minhas horas? Você viu isto, viu aquilo, a barra da saia dela. Será que não tem vergonha, andar de rabicho por aí? E o fuxico rola solto. Sobe às nuvens. Nuvens azuis dos fuxiqueiros da saúde. O pior e mais grave é a onda torrencial da política – mais candidatos que eleitores. A saúde foi recorde.
Nada é fútil. O gesto é importante. O movimento pra frente é indispensável. O querer fazer é indispensável. O fazer é sagrado. Eu proponho um armistício. Abaixem as armas! Vamos sentar aqui neste banco pra conversar. E depois é trabalhar. Não vou levar pau de ninguém por causa do seu relaxo. Quem for relaxado que se dane.
É lícito receber hora extra sem trabalhar? É justo não atender bem ao doente? É justo deixar o medicamento vencer na prateleira? É justo quebrar o aparelho para não trabalhar? É justo fazer um diclofenaco no músculo do paciente sem necessidade. Ao invés de uma boa conversa. Uma conversa franca para levantar a moral do sofredor. É justo ter horário de 40 horas e trabalhar menos e ainda querer gratificação de desempenho? Vou organizar o transporte do paciente à Porto Velho. Do jeito que está é mais barato dar o dinheiro da passagem. Olhe aí a solução. O dinheiro da passagem para o doente viajar. Ir e voltar. É mais barato. Viva a boa idéia.
A minha ordem é pegar duro. Ensinar. Dar curso. Mão na cabecinha, ombrinho pra chorar, no meu não. Quer trabalhar fique. Não quer – lá fora o sol está pra todos. A Prefeitura paga em dias. Não atrasa. Esforça, puxa e rola. Não será você, florzinha ou arranha-gato que irá me puxar pra baixo. Nem morto.
A palavra de ordem é humanização. Depois a ordem. A organização. A gestão eficiente. Saber administrar este oceano de conflitos. Tratar bem as pessoas. Receber o paciente na sala de espera e orientá-lo com uma boa triagem. Grande parte do povo está com doença na alma. Injeção de diclofenaco não resolve. O povo precisa de carinho. De conversa. De atenção. De amor.
O ataque histérico é um horror. Principalmente se vem de quem deveria servir. Política é a organização da sabedoria. Por isso deve inovar sempre. O time de futebol tem que treinar. Treinar e treinar. Ninguém pode jogar sozinho. O doente não é bola. A palavra é mudar a cara. Mudar a cara da saúde. Em todo lugar. Do Garimpo ao Mutirão. Nem precisa de prédio bonito. Nem luxuoso. O que se precisa é de bom atendimento. É de se fazer o básico. Parar de enfileirar doente na estrada. Ambulância e mais ambulância. Fila. Gasto de comida em excesso. Gasto de energia em excesso. Gasto de raios-X em excesso. Gasto de oxigênio em excesso. Gasto de gasolina em excesso. Gasto em manutenção de veículo em excesso ou de menos. Creio que aqui é de menos.
A saúde pode e deve cuidar bem do hipertenso. O remédio tem que chegar pra ele todo mês. Não pode faltar. Para o diabético também. O pré-natal bem feito e regular. Exames na data e hora. O parto bem seguido. A água tratada para todos. A prevenção do câncer de mama e de colo. Fácil de controlar e prevenir. Anotar tudo no computador. Mandar os dados para Brasília. O resto deixe comigo.
Esta crônica é um recado. Um aviso. Que de agora em diante a coisa vai ter que engrenar. Comigo, só não engrena quem não quiser. Se for meu amigo, ajude-me. Se for meu inimigo – ajude-me. Se não for nem uma coisa e nem outra – ajude-me também. Se não quiser contribuir de jeito nenhum – que vá para as profundezas dos infernos. A ordem é essa – cooperação. E deixar de lado o vício do falatório.
Alguém pode falar: o pessoal da saúde é ruim? Pelo contrário. Está cheia de gente boa e sabida. Sabem fazer bem feito. Aqui há enfermeira que pode dar aula em Harvard. Será aplaudida de pé. O que está faltando? – só uma coisa – compromisso. Tirar o calço debaixo da roda. Tire o calço e tudo se moverá tranquilamente.
O primeiro passo – humanizar o serviço.


