Fios, garrafas pet, canos, galões de água, madeiras com pregos, sacos de salgadinhos e copos plásticos jogados ao longo da única escada que dá acesso aos barcos que saem da Praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e que leva as pessoas até a construção da Usina Santo Antonio contribuem para aumentar o medo e a insegurança dos passageiros durante o passeio. A falta de segurança e infraestrutura nas embarcações são tantas que chega a causar sensação de pânico em alguns tripulantes. Para muitos, o que era para ser somente um lindo passeio durante uma hora no Rio Madeira acaba sendo uma contagem regressiva contra o relógio.
Embarcações como o Comandante Nossa Senhora Aparecida, saem diariamente lotados e sem oferecer nenhuma segurança à tripulação. Antes mesmo de começar o passeio já é possível verificar na escada de madeira “bamba” que da acesso as embarcações o tremendo descaso com a população. Alguns passageiros ali mesmo desistem de apreciar as belezas naturais do Rio Madeira antes mesmo de chegar aos barcos. Já dentro a grande reclamação por parte dos tripulantes está no aumento das passagens sem aviso prévio, na segurança precária, no qual são vendidas bebidas alcoólicas sem nenhum controle e na falta de fornecimentos de medida de segurança aos tripulantes em caso de acidente.
Companhia
De acordo com o subcomandante Onécio dos Santos Alvoredo as embarcações possuem 120 lugares, porém só saem para o rio com 30 ou 40 passageiros, sendo todos muito bem acomodados por assistentes desde a entrada no barco. Quanto à escada o mesmo ressaltou que não foi arrumada, pois a prefeitura não permitiu. Ainda em conversa destaca que no lado de dentro para garantir a segurança dos passageiros, todo tripulante é obrigado a dar nome e data de nascimento para prevenir futuras eventualidades.
“Tentamos proporcionar o maior prazer para as pessoas, para isso oferecemos toda a segurança com vários coletes, além de mesas e cadeiras. Durante o passeio a tripulação além de apreciar a beleza natural do Rio Madeira pode comer um tira gosto, almoçar, tomar uma cerveja ou um refrigerante”, mencionou Santos.
Tripulação
Já o passageiro Santiago Junior que realizou o passeio no último domingo (03) notou que existem muitas falhas na embarcação, desde a cobrança da entrada, lista de passageiros, até a falta de fiscalização da Capitania dos Portos. “Não recebemos nenhuma instrução de segurança, sequer foi passado informações sobre o aumento do valor do ingresso e para completar a lista que era para conter os nomes dos tripulantes serve para enfeite, pois nem todo mundo coloca seu nome lá”, desabafa.
Nossa equipe entrou em contato com a Capitania dos Portos que são os responsáveis pela fiscalização e fomos informados que os mesmos não poderiam dar entrevistas, pois o capitão está de férias até fevereiro. Mas, ressaltaram que diariamente duas pessoas fazem a fiscalização das embarcações verificando lotação e segurança dos passageiros.
História
Os passeios de barco na Praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré eram feitos diariamente há 12 anos, e ontem foi o último dia das atividades devido ao avanço das obras de revitalização do Complexo da Estrada de Ferro. O passeio custava R$ 10,00 e uma das embarcações que levava os tripulantes até a Usina Santo Antonio, é intitulada Comandante Nossa Senhora Aparecida, construído há 10 anos em São Carlos. A mesma possui quatro bóias para garantir a segurança dos passageiros que agüentam até 30 pessoas, além de coletes salva vidas. Dispõe de dois banheiros femininos e dois masculinos e aproximadamente 30 mesas. Os visitantes esperam que com no retorno das atividades a segurança seja prioridade na manutenção do passeio.


