Estado

Tecnologia viabiliza monitoramento dos sistemas agroflorestais

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Representantes do grupo de Gestão em Automação e Tecnologia da Informação (Gaesi) apresentaram aos dirigentes da Emater-RO, uma proposta tecnológica para gestão com foco na floresta de Rondônia. A proposta visa à estrutura de um sistema de inteligência territorial estratégica com gestão sustentável das florestas e implementação de um sistema de monitoramento visando uma produção com qualidade e sustentabilidade. A proposta está em estudo e também foi apresentada ao governador Confúcio Moura e seu secretariado.
O Gaesi é um grupo formado por doutores, doutorandos, mestres e mestrandos da Universidade de São Paulo (USP) e de outras renomadas instituições de ensino que atua nas áreas de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de automação e gestão de processos. Sediado na Escola Politécnica da USP, já desenvolveu diversas atividades votadas ao campo de automação, do desenvolvimento, de gestão, de logística e de mobilidade nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, entre outros.

Em Rondônia a proposta visa monitorar as florestas nativa e plantada, através da integração de dados que possam dar suporte à sua preservação e ao manejo sustentável da agricultura, em especial os sistemas agroflorestais. Antes da apresentação o presidente da Emater-RO, Francisco Mende de Sá Barreto Coutinho falou da perspectiva de produzir sem precisar desmatar. “Estamos investindo em tecnologia, trabalhando em vários segmentos para termos esse controle”, disse.

O diretor técnico e de planejamento da Emater-RO, José de Arimateia da Silva falou do sistema que a Emater-RO desenvolveu recentemente, o Siater, que tem contribuído muito para o acompanhamento das ações dos extensionistas no interior do estado. “A Asbraer (Associação Brasileira das Entidades de Assistência Técnica e Extensão) está buscando alternativas para implantação de um sistema em nível nacional e nós Estamos levando o nosso programa para contribuir com eles”.

FOCO NA FLORESTA
O objetivo da visita ao estado de Rondônia, segundo o professor Dr. Eduardo Mario Dia, titular da USP/Poli e coordenador da Gaesi, é provocar uma necessidade de um sistema de gestão em diversos segmentos, acoplados para fazer um planejamento de forma racional. Esse sistema de gestão tem sendo implantando em áreas como transporte, saúde, etc. e vem sendo muito bem aceito, pelo seu resultado tanto na logística como na economia com a ação projetada.

Durante a apresentação do projeto, o pesquisador da Embrapa/Campinas, João Mangabeira, mostrou que Rondônia, em comparação com o estado do Pará, produz muito mais com menos pessoas. A idéia é manter o foco no monitoramento das florestas, controlando ações de desmatamento e de cortes indevidos de árvores nativas, bem como incentivo plantios em áreas disponíveis. “Rondônia é um estado com uma população bem distribuída, com muitas pessoas no interior do estado, o que faz dele um estado diferenciado”, disse complementando que, com um planejamento de gestão eficiente, poderá vir a ser o exemplo da Amazônia para o mundo.

Citando seu trabalho de mais de 30 anos de pesquisa na região de Machadinho do Oeste, João falou ainda das expectativas com a implantação do sistema no estado. “Rondônia é uma bomba de carbono que deve ser explorada”.

SISTEMA DE GESTÃO
A proposta para Rondônia consiste, inicialmente, em estruturar um sistema de inteligência territorial estratégica para o estado; montar um sistema de gestão territorial à sustentabilidade das florestas nativa e plantada e implementar um sistema de monitoramento. Segundo João Mangabeiras, “Não é preciso entender de geoprocessamento para entender o sistema, as pessoas serão treinadas para usar a ferramenta.”
O pesquisador Vidal Melo, que também acompanhou a equipe do Gaesi, apresentou alguns dos projetos já implantados e que se tornaram referência, como o estado de São Paulo cuja adesão ao geoprocessamento vem facilitando o trabalho de muitos setores na prefeitura. Entre eles, cita o de transporte que visou sincronizar os semáforos, beneficiando a mobilidade dos transportes públicos e, consequentemente, do transito, e o projeto que evita a sonegação fiscal, acoplando um sistema de envio de dados diretamente para a secretaria da fazenda. Ele explica: “o que propomos é integrar dados dando suporte para agilização da evolução da operação através de tecnologias que contribuem para o bom desempenho dessas operações”.

FLORESTA 4.0
Dentre os projetos propostos para Rondônia está o que o grupo denomina de “Floresta 4.0”. Segundo o pesquisador João Mangabeira, o mundo passou por três grandes revoluções: a mecanização, a produção em massa (indústria) e a automação (computadores). “Agora estamos entrando em um quarto processo revolucionário: o cibernético (sistema físico)”.

O Floresta 4.0 visa à exploração sustentável com rastreabilidade dos recursos naturais por meio de monitoramento aderente aos conceitos de “internet das coisas”. Mangabeira explica que tudo o que existe no mundo físico poderá ter monitoramento em tempo real, por isso “internet das coisas”.

Esse é um projeto que ainda está em estudo, mas na sua logística, a tecnologia poderá ajudar a evolução das operações compartilhando-a em tempo quase real, entretanto é um processo que depende da colaboração de uma equipe. “Não é para uma pessoa ou uma empresa, por isso precisamos de parceiros”, mas é uma ação que vai aumentar a competitividade e abrir caminhos para o desenvolvimento de tecnologias nacionais.

Além de apresentar a proposta à diretoria da Emater-RO, o Gaesi também a levou ao conhecimento do governador Confúcio Moura e seu secretariado, mostrando que o sistema é eficiente não apenas no segmento ambiental, mas também em outros setores. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater-RO, Marcos Antônio Machado, que acompanhou o grupo, o governador ficou muito entusiasmado com as propostas, em especial com a implantação de um sistema de gestão para a saúde e com o projeto Floresta 4.0.
Texto: Wania Ressutti
Fotos: Robson Paiva

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