Economia

Saiba como fazer um plano para seu dinheiro render mais

sábado, 3 de julho de 2010

Muito investidor em Bolsa de Valores persegue uma meta: atingir uma rentabilidade média “x” por mês. Tem quem fale em 1%, tem quem queira mais que isso, uns 2%.

Mas é possível ter uma estratégia como esta quando o assunto é Bolsa? Até é. Porém, nada garante que o investidor vá conseguir atingir esta meta.

“Manter a disciplina é a maior dificuldade de toda a estratégia. Sempre que um investidor atinge seu objetivo (no caso 2% no mês), ele quer esticar o ganho um pouquinho mais se expondo ao risco”, afirma o professor e educador financeiro Mauro Calil. “E quando perde, sempre acredita que o mercado vai mudar.”

Colocar uma meta tem dois lados. O bom é que o investidor tem um objetivo a realizar, e, portanto, não perde o foco.

O lado ruim é que, em se tratando de Bolsa, essa meta pode não ser alcançada durante alguns meses. E isso pode desanimar. “Principalmente em períodos como agora em que o Índice Bovespa está muito volátil”, afirma a gestora de investimentos Claudia Kodja.

O ideal para evitar grandes prejuízos -o que pode abalar a meta- é determinar um limite para as perdas.  “É o chamado “stop loss”, que obriga o gestor da carteira a vender os ativos para conter perdas maiores”, diz Kodja. Este limite quem determina é você, investidor, e vai depender do seu sangue frio.

Se sua meta for, por exemplo, a tal rentabilidade de 2% ao mês, é preciso ficar atento às perdas seguidas. Se a perda passar dos limites que você definiu, é o caso de sair do investimento.  “Isso resguarda boas rentabilidades passadas que poderiam ser perdidas em períodos de baixas expressivas”, diz Kodja.

Também é preciso contextualizar a Bolsa entre outros investimentos, ainda que cada produto financeiro tenha comportamentos e características diferentes. “Querer uma rentabilidade líquida de 2% com a Bolsa é querer 200% do CDI. E isso é muita coisa”, afirma Bruno Lembi, sócio da M2 Investimentos.

Sem garantias

É importante notar também que você pode até perseguir uma meta na Bolsa (ou em qualquer outro produto financeiro). “Mas nada garante que o investidor vá conseguir atingir esta meta”, diz Ricardo Martins, gerente da área de pesquisa da corretora Planner.

Assim como a gestora Claudia Kodja, Martins lembra que o mercado financeiro é cheio de altos e baixos, e que as mudanças nem sempre dependem só do que acontece no Brasil. “Há variáveis internacionais que afetam o mercado brasileiro também.”

Então, o que –e como– fazer? Primeiro, diz Martins, é importante o investidor definir seu próprio perfil. “E, se ele quiser ter uma meta, o melhor é pensar no longo prazo, porque aí terá mais chance de recuperar uma perda”, afirma Martins.

No quesito ações, Martins recomenda principalmente as de empresas que pagam dividendos, que é um dinheiro que entra na conta do aplicador com constância.

O educador financeiro Mauro Calil também indica papéis com dividendos. “Os voltados ao mercado interno e com pagamento de dividendos acima da média. Bancos, concessões rodoviárias e energia elétrica fazem parte desta lista”, diz Calil.

E o que não fazer? “Seguir a manada e perder o foco da meta estabelecida”, afirma Calil.

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