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Saúde caótica em Espigão d’Oeste

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

caos-da-saude
O posto de saúde de Espigão d’Oeste lembra uma daquelas cidades grandes em que centenas de pessoas se amontoam nos corredores à espera de atendimento. Logo na entrada, na calçada junto à parede do prédio uma fila de pessoas amontoadas com suas cobertas tentam dormir na fila para conseguir pegar uma ficha de atendimento dentário. Muitas pessoas, na maioria mulheres ficam na calçada ao relento para garantir um lugar no atendimento do dia seguinte. As pessoas ali, desamparadas estão na condição talvez mais frágil do ser humano: expostas às doenças, e além de não terem um tratamento digno a que todo cidadão tem direito, estavam entregues à própria sorte. Segundo algumas dessas vítimas do sistema, as regras são bem claras naquele local.

O atendimento dentário é de apenas 10 fichas ao dia sendo que duas fichas são reservadas para os detentos da cadeia pública e as oito restantes são disputadas por aqueles que se sujeitam a passar a noite dormindo na fila. Gostaria muito que algum dos colaboradores direto do prefeito Célio Renato tivessem a oportunidade de vivenciar essa situação para terem a certeza que realmente muito pouco estão fazendo em favor desses cidadãos. É fácil arrumar desculpas para maquiar a situação, mas o difícil é aceitar que uma criança de 13 anos tenha que dormir na calçada em frente ao posto de saúde para pegar uma ficha para ter seus dentes obturados, isso já soa absurdo.

O pior que essa situação existe e não é uma ficção, é uma criança que por ter os dentes com problema teve que se sujeitar a passar por esse verdadeiro, constrangimento várias noites naquela calçada para pegar as fichas e assim obter o tratamento. Acho muito difícil a administração “Humanizar a Saúde” com esse tipo de atendimento. Que me desculpem os leitores, mas a cena e os depoimentos que presenciei na madrugada de quinta feira me deixaram muito p…da vida, pela maneira e o desrespeito com que os gestores vem tratando o povo, principalmente aqueles que pagam seus impostos, trabalham 11 meses ao ano, e passam por humilhações esperando o dia em que o poder público acorde para a realidade, e comece a valorizar a vida humana.

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