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Porto Velho, cidade cosmopolita

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Por Júlio Olivar

No coração da América do Sul, única capital brasileira na fronteira com outro país e mais dois estados. Da primeira vila, a da Candelária, de 1909, aos dias da hoje, com cerca de 500 mil habitantes, Porto Velho passou por muitos estágios, personalidades jurídicas e ciclos econômicos até se firmar como a capital de Rondônia, o estado que mais cresce no Brasil. Sede de duas usinas que geram energia elétrica para 50 milhões de pessoas, a cidade dispõe de uma das maiores frotas (proporcionais) do Brasil, quinto porto e o vigésimo sexto aeroporto mais movimentado do país. É a quarta maior cidade do Norte e a nona cidade que mais recebe turistas na Região.

Porto Velho pulsa forte no coração de quem aqui vive e a respeita. Que sabe que muito precisa ser feito em matéria de infraestrutura e urbanismo, mas já a reconhece como tendo uma identidade e um potencial empreendedor que suplanta qualquer debilidade, que será superada com o esforço de todos. Com vida cultural intensa, dispõe do maior teatro do Norte do Brasil, tem 190 escolas públicas e tantas outras particulares; universidade e faculdades renomadas, muitos artistas e talentos incontestáveis na música, nas artes cênicas e plásticas, na literatura, na dança. Nosso carnaval, a Jerusalém da Amazônia, a Flor do Maracujá, Festejo de Nazaré são algumas das tantas tradições.

Porto Velho nasceu pelos braços e mentes vindos de mais de 50 pátrias. Nasceu cosmopolita e se fez Canaã para todos que aqui aportaram. Teve como embrião uma cidade fundada por jesuítas (Santo Antônio do Rio Madeira) e consolidou sua identidade às margens da odisséia representada pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Cresceu sem perder o lastro de cidade ribeirinha, que tem no Rio Madeira a sua referência maior. Rio dos botos, das divindades, das lendas, do ouro, da navegação que trouxe e levou riquezas; que trouxe a gente que fez Porto Velho surgir em terra, mas sendo fruto das águas.

Porto Velho dos estrangeiros, dos índios, nos soldados da borracha, dos homens e mulheres de todos os quadrantes do planeta que fizeram nascer uma nova civilização nos trópicos. Rondon, Franz Keller, Church, Joaquim Tanajura, os Resky e outros “turcos”, Aluízio Ferreira, Centeno, Vespaziamo Ramos, Ary Pinheiro, Renato Medeiros, Jorge Teixeira… tantos expoentes e tantos outros anônimos! Tantos homens e mulheres ousados! Tanta gente essencial à compreensão da formação desta cidade; gente de tantas áreas (letras, política, humanismo, negócios, operários) me vem à memória neste instante para lembrar um passado de glória e um presente carregado de esperanças. Porto Velho é a capital dos ipês, do Caiari (primeiro conjunto habitacional do país), do bolo Moka, do rio que tem mais espécies de peixes (saborosos!), do pôr do sol mais bonito, da gente mestiça, de um povo audacioso que, tal qual Júlio Cesar, “veio, viu e venceu”.

Júlio Olivar, jornalista e escritor, é superintendente estadual de Turismo.

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