Destaque, Economia

Mudança: Terminal Portuário gera conflitos

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

conflitoDesde o começo da implantação do Porto Cai N`água no município de Porto Velho muitas famílias da região central sentiram-se lesadas, pois tiveram que deslocar seus estabelecimentos comerciais para outros pontos. “Para construir esse terminal portuário a prefeitura demoliu o casarão que já estava ali há anos e ainda tirou minha barraca do local. Entendo que essa obra trará um crescimento e um benefício para a comunidade, mas não acho justo mexer com a minha barraca de peixe que está há 11 anos aqui”, informou o pescador Antonio Maia.

 Na construção do Terminal Portuário está sendo investido mais de R$ 13 milhões, provenientes da prefeitura da Capital e com apoio do Governo Federal, a empresa responsável pela construção é a Eram (Estaleiro Rio Amazonas Ltda). A obra que já está em andamento há 90 dias, tem um prazo de um ano de entrega. De acordo com um dos empregados que está trabalhando na obra e não quis se identificar, este novo porto será flutuante e nele irá conter um espaço para a fiscalização exatamente como nos aeroportos. Junto do porto será construída também uma rotatória para facilitar e organizar o trânsito. “Todo esse trabalho que está sendo realizado é para melhorias, mas como a gente não fica sabendo de muita coisa, e ouve muito ‘disse me disse’, ficamos sabendo que para terminar essa construção todo esse pessoal aqui da área terá de ser retirado”, explicou.

 Muitos moradores mesmo contentes com o crescimento que essa obra irá trazer para região estão preocupados, pois segundo eles até agora a prefeitura não se manifestou na questão de indenizá-los. “O fato de eles terem demolido de vez o casarão que estava ali foi bom, pois tinha muita gente usando esse ponto para o consumo de drogas e acumulo de lixo, só que para nós o que não está bom é o fato de tirarem a gente daqui. A prefeitura passou cadastrando e vendo quem estava ocupando a área, mas não comentou nada sobre indenização e nem se irão dar outra barraca para a gente trabalhar. Estamos aqui há seis anos merecemos respeito e outro espaço”, destaca o proprietário de um estabelecimento comercial, Manoel Geronilson.

 Para Antonio Oliveira, comerciante local, a implantação do Porto foi extremamente prejudicial. Oliveira teve sua barraca retirada para a construção portuária. “Eu tinha um ponto estruturado aqui bem onde estão aterrando, era uma barraca para atender às necessidade dos ribeirinhos, agora eles me colocaram ali atrás jogado, parece mais um alojamento de guerra. Estou tendo um prejuízo enorme, só me entregaram um documento dizendo que eu tinha que sair e nem falaram em ressarcimento”, comentou.

 

Já o proprietário do comércio de gelo local, Ronaldo Garcia, afirmou que até agora eles não foram comunicados sobre nada da obra, que tudo que eles estão sabendo é pela boca do povo. “Eles além de não nos dizerem nada, em 15 minutos derrubaram o casarão e começaram essas obras, e para fechar ainda estão ameaçando nos tirar daqui e nos dar em troca uma barraquinha que não cabe nem uma geladeira. Tenho 13 anos aqui e preciso disso para sustentar a família, não acho justo sermos expulsos”, desabafou.

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