Destaque, opinião

A terrível crônica da realidade

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nem sei por onde começar. Tantos são temas que vem à cabeça neste instante

AVATAR. HAITI. CAOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. ENCHENTES EM SÃO PAULO. O REENCONTRO COM TOTA E ROSIMEIRE. CHILE. VENEZUELA. ELEIÇÃO 2010.

Quando vejo aqueles negros desesperados no Haiti eu me remeto na hora à escravidão no Brasil. Dá-me um aperto no peito. Uma dor. Como se fosse uma agulha enfiada no boneco vodu e me dói aqui. E dói mesmo. Não tem quem não sofra por eles. Não tem quem não deixe uma lágrima no canto do olho. Não tem quem não se cale por alguns segundos. Dói fundo. O sofrimento esmagando a dignidade humana.

No entanto, o Haiti já vinha penando dores e sangues. Já estava no fundo do poço. Não há sofrimento que ainda não possa piorar. E piorou ao extremo. Para piorar ainda mais só mesmo o holocausto da natureza tal qual o dilúvio ou tremores de terras continuados. Mas, ainda é possível piorar ainda mais. Chegar ao infinito dos limites dos padecimentos humanos. No ultramar da penúria.
HOPE FOR HAITI NOW. Está no Youtube. A música pelo Haiti. O twitter em movimento de doações permanentes. Brad Pitt e Angelina Jolie doaram 1 milhão de dólares, outros artistas também. Cantores e artistas do mundo inteiro mobilizam-se em shows espetaculares cantando o Haiti para mundo. E a música é mesmo internacional. Só ela bate forte nos corações.

E lá estão os negros. Os mesmos que vieram escravizados para o Brasil. Como subgente. Abaixo dos animais irracionais. Dizimados sob o manto da legalidade, tridimensionalmente espancados, nascidos exclusivamente para servir e que mesmo assim, mais forte ficou por dentro, a ira da subordinação. O canto engolido e fundo. As crenças nunca apagadas e a arte remotamente expressada.

O Haiti é a aqui. Disse Caetano. E é verdade. O Haiti é aqui. Porque este Brasil brasileiro, do Flamengo e do Corinthians também se desponta, embora não se queira falar, com duas ou três caras bem diferentes. De forma que só uma aparece no foto. As outras estão por baixo do tapete. As enchentes de São Paulo, as de Blumenau e as tormentas da costa de Santa Catarina. O que ocorreu em Angras dos Reis. E nem se fala do que se passa com os índios sempre escorraçados e dizimados.

Para se ter uma idéia foi exterminada cerca de 4 milhões de indígenas brasileiros entre o descobrimento e século XIX. O Haiti é aqui porque nas regiões metropolitanas há guetos e favelas. Na Amazônia os ribeirinhos também escrevem a tragédia da exclusão social. Alguém já disse que o Brasil é uma berlíndia (Bélgica e Índia), mas, usando a música mais parece uma berlaiti (Bélgica e Haiti).
Aqui e lá estamos em Avatar. Cheios de humanóides que queremos exterminar. Porque já estamos em franca e efetiva operação de desmonte do nosso povo também. Quando um belo país, de Airton Sena, Zerbini, Cafu e Popó, piora ainda mais a sua educação fundamental, para onde queremos ir? Senão para o fim do mundo? Que política é esta que se descontrola tanto, e vai-se afundando, um Titanic afundando, e pode sumir, submergir e mais o que era tão ruim pode piorar. Tal qual o Haiti que já sofria e é capaz de sofrer ainda mais. A educação brasileira piorou. Desceu ladeira abaixo e está no 88º lugar entre os países. Pior do que o Paraguai. Pior do que a Bolívia. É o pior dos piores. Nem falo Argentina e Chile que são céus de brigadeiros na educação quando se compara com o Brasil.

Na cabeça do povão a educação está uma beleza. E a eleição de 2010 está por um triz. Quem terá coragem de falar na educação. Porque educação não dá voto. Cristovam Buarque pode dizer do alto de sua cátedra. Não dá voto porque o povo acha que ela está a mil maravilhas. É o tema mais importante de todos. O povo acha que não. Que está pra lá de Bagdá. E aí – fala ou não fala?
O Chile entrou mais uma vez no contraditório da América Latina. Enquanto uns e outros elegem superesquerdistas, o Chile diz o contrário, elege um superdireitista. Que com certeza será convertido em social democrata porque o Chile está bem composto politicamente e economicamente. Não tem espaços para mudanças radicais num país equilibrado. O Sebastián Pinera será uma Michele Bachelet de calças compridas.

Voltando ao tema educação – o caminho é só um – treinar e treinar ainda mais professores. Avaliar os alunos mensalmente. Pagar professores por produtividade. Colocar bibliotecas nas escolas. Educação integral e em tempo integral para todos. Cursos de gestão para diretores. Metas definidas com rigor. Conselho pedagógico forte. Chamar os pais pra dentro das escolas.
O Haiti é aqui. Talvez chame o James Cameron para meu publicitário. E a Venezuela segue a passos largos para o precipício anunciado. Vamos salvar os nossos humanóides do Haiti e daqui. Tota e Rosemeire falo na próxima semana.

Por Confúcio Moura

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