Capa, Presidente Médici

Tesouro perdido revelado em Médici

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais de 70 sítios arqueológicos de uma antiga civilização já foram encontrados
tesouro-perdido

Um dos maiores tesouros arqueológicos do Brasil, datados com mais de 13 mil anos, está escondido no interior de Rondônia, na área rural do município de Presidente Médici, distante 410 quilômetros da Capital. A cidade, que tem uma área de 1.758 quilômetros quadrados e 23 mil habitantes, produz 82 mil litros/dia de leite e tem uma forte agricultura de base familiar.

Mas é longe das pastagens, lavouras de café e feijão que o município guarda outra riqueza. Ali, entre rios, morros, matas fechadas e platôs de rochas de arenitos que serviam como pontos de observação viveram os homens da era do “paleo-indio”. Um dos estágios mais primitivos dos povos ameríndios.

Numa parceria inédita, entre a prefeitura de Presidente Médici e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), coordenado pela arqueóloga Maria Lúcia Franco Pardi, de Brasília, mestre em Gestão de Patrimônio Cultural, está sendo feito um inventário dos 78 sítios arqueológicos já encontrados no município e região. Segundo o prefeito José Ribeiro (PMDB), Presidente Médici, vai se tornar um grande pólo de arqueologia no país.

O Iphan está viabilizando recursos da ordem de R$ 220 mil, para que o município e a população mantenham preservados todos os sítios arqueológicos como registros para as futuras gerações. O prefeito, afirma que os técnicos do Iphan, em Brasília estão entusiasmados com essa parceria que vai servir para incrementar o turismo cientifico, ecológico, rural, de aventura e para famílias que adoram conviver com a natureza. Belas cachoeiras, pássaros e mata verde é o que não falta para encher os olhos dos visitantes.

Pedacinho do Brasil

Para a arqueóloga Maria Lúcia franco Pardi, “este é um pedacinho do Brasil que está sendo descoberto agora.” Acrescentando, “estamos trabalhando tendo como foco a preservação de um tesouro cultural de valor inestimável, evitando que futuros impactos venham destruir este patrimônio.” Maria Lúcia  reconhece a visão do prefeito, José Ribeiro, ao implementar políticas de preservação ambiental e dos sítios arqueológicos. “É tesouro que precisa ser preservado”, reforça.

Na verdade, prefeitura e o Iphan, estão preparando a região para futuras pesquisas arqueológicas, porém é necessário dotá-la de infra-estrutura e condições técnicas. Conscientização dos produtores rurais, da importância deles no processo de preservação, Guias turísticos, hotéis, restaurantes, passarelas, inclusive, para cadeirantes, tudo isso faz parte do projeto para visitação dos sítios arqueológicos de Presidente Médici.

Simbolismo

Não é necessário, ser arqueólogo, geólogo, antropólogo ou coisa parecida, para reconhecer o simbolismo das marcas “Rupestres” deixadas pelos nossos ancestrais nas rochas. Os desenhos e configurações geométricas e gráficas revelam um pouco da comunicação social entre os povos que viveram nesta região a milênios. Estes registros nunca serão decifrados e ninguém vai saber se eles estavam trocando informações sob o inimigo, ou reverenciando seus “deuses”, mas sugerem interpretações das mais diversas.

Para a professora Ana Catarina Torres Ramos, arqueóloga e pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco, que faz parte da equipe do Iphan, “há muita coisa indecifrável nesta região”. As pesquisas revelam que já passou muita gente por aqui. A ocupação pelo homem da América também faz parte deste inventário que tenta descobrir vestígios mais fortes, dando conta que daqui eles seguiram em direção ao que hoje é o sul da Argentina e o Uruguai.

Instrumentos fortes

O professor de história e pós-graduando em Arqueologia da Amazônia, José da Silva Garcia, afirma que “o que se encontra aqui não foi encontrado em nenhum lugar do mundo em termos de variedade e quantidade”. As ferramentas  encontradas nos 78 sítios de Presidente Médici, confeccionados em pedras e argilas, vão desde machados, arados, virotes, ponta-de-lança, ponta de flechas, boleadeiras, fragmentos de cerâmicas, conhecidos como “panela de índio” e uma urna de acompanhamento funerário.

José da Silva Garcia explica que todo material pesquisado até agora e que ainda estão sem datação foram coletadas na superfície. Estudos realizados pelo arqueólogo Eurico Muller e Solange Caldarelli, indicam com precisão que entre 4 e 5.500 anos houve ali a presença de grupos pré-históricos.

Teoricamente, avalia o professor José da Silva Garcia, na medida em que outros grupos surgiam na região depois de confrontos violentos, implementava-se a conquista de novos espaços, de novas áreas. O local poderia ser área de pesca, de habitação e de caça. A agricultura deles, segundo o professor, era arrojada para o consumo e a troca.

No Museu Arqueológico de Presidente Médici, único da região, se encontram depositadas amostras de dezenas de peças recolhidas no interior do município. O processo de escavações nos sítios, de acordo o prefeito José Ribeiro e a arqueóloga Maria Lúcia Franco Pardi, será autorizado pelo Iphan para uma segunda fase das pesquisas.

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