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Soldados da Borracha agora com nomes no Livro dos heróis da Pátria

terça-feira, 19 de julho de 2011

Fernanda Bonilha

A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.447, publicada nesta segunda-feira (18) que inscreve os nomes de cerca de 65 mil “Soldados da Borracha”, que se embrenharam na selva da Amazônia no esforço de guerra na década de 40, no Livro dos Heróis da Pátria. A proposta, de autoria da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), passou por todas as comissões da  Câmara e foi aprovada, em caráter conclusivo, na Comissão de Educação, Cultura e Esportes do Senado, sendo o último relatório assinado pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) antes de ela assumir o cargo de ministra-chefe da Casa Civil.

Perpétua disse que a presidenta da República deu provas de bom senso ao sancionar a lei, atendendo ao clamor por justiça de fato. A parlamentar acreana, no entanto, ao tomar conhecimento da sanção, acelerou o esforço, junto às bancadas, para que a Câmara aprove, ainda, a PEC que equipara a pensão dos soldados da borracha aos ex-combatentes de guerra, além de uma gratificação natalina no mesmo valor da aposentadoria.

Ela foi relatora de uma comissão especial que estipula o benefício em cerca de sete salários mínimos. “Vejo uma necessidade urgente de aprovarmos a PEC. O Brasil tem compromisso moral com estas famílias, especialmente com cidadãos que, atualmente, já atingem uma idade avançada e devem ser reconhecidos em vida pelo esforço de guerra naquela época tão difícil”, disse a deputada.

“Os Soldados da Borracha estiveram sujeitos a condições de trabalho e sobrevivência extremamente severas, contribuindo diretamente para o mesmo objetivo dos ex- combatentes, que se uniram às Forças Aliadas para derrotar as Potências do Eixo”, defendeu a senadora-ministra, que acatou integralmente as justificativas da deputada Perpétua Almeida. Seu voto foi acatado pela unanimidade dos senadores.

Nas páginas de aço do livro, os soldados da borracha farão companhia aos únicos dez brasileiros citados como heróis da pátria até o momento, entre os quais Plácido de Castro. Outros quatro já estão aprovados e aguardando inclusão de seus nomes. O líder sindical e ícone ambiental mundial Chico Mendes.

Nervos de aços

Recrutados para a Segunda Guerra Mundial, quando ofereceram a vida à Nação, num gesto de excepcional dedicação e heroísmo, os soldados da borracha farão companhia, no Hoje, apenas dez heróis têm seus nomes citados, inclusive Plácido de Castro. Outros quatro já estão aprovados e aguardando inclusão no Livro dos Heróis da Pátria – dentre eles o do líder sindical e ícone ambiental mundial Chico Mendes.

Perpétua ainda é relatora da Proposta de Emenda Constitucional que reajusta a pensão dos ex-seringueiros (dois salários mínimos) ao soldo pago hoje a um segundo-tenente do Exército Brasileiro (R$ 3 mil).

A homenagem se deve ao trabalho realizado pelos 65 mil brasileiros que foram para a Amazônia durante a 2ª Guerra Mundial. “Esse contingente realizou notável trabalho, suprindo as necessidades de látex durante o conflito mundial, uma vez que foi bloqueado o acesso aos seringais da Malásia”, explica ela.

Em seu relatório, Gleisi Hoffmann explica que, “embora não tenham participado dos combates, os Soldados da Borracha estiveram sujeitos a condições de trabalho e sobrevivência extremamente severas, contribuindo diretamente para o mesmo objetivo dos ex- combatentes, que se uniram às Forças Aliadas para derrotar as Potências do Eixo”.

Precursor da aviação

Os senadores também aprovaram a inscrição do nome de Júlio Cezar Ribeiro de Souza no Livro  PA), informa que Júlio Cezar Ribeiro de Souza foi um cientista e inventor paraense, o qual, na década de 1880, “desenvolveu as bases teóricas da aerodinâmica da navegabilidade aérea”, sendo assim um dos precursores da aviação mundial.

Na justificação da matéria, seu autor explica que a proposta do cientista “para a dirigibilidade dos veículos mais leves que o ar, inspirada na observação do vôo dos pássaros, baseava-se na estrutura fusiforme dissimétrica dos balões, consagrada posteriormente, inclusive nos famosos dirigíveis Zeppelin”.

Ao apresentar seu voto favorável ao projeto, o relator, senador Paulo Bauer (PSDB-SC), também informa que as experiências de Júlio Cezar foram reconhecidas à época por diversas instituições científicas e tecnológicas, tendo ele obtido a patente de seu “balão planador” em nove países.

O Livro dos Heróis da Pátria, que repousa no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília, pode abrigar o grupo soldados da borracha em suas reluzentes páginas de aço. E por força de lei. O projeto apresentado pela deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB) como reconhecimento aos mais de 65 mil brasileiros (nordestinos) recrutados para a Segunda Guerra Mundial, quando ofereceram a vida à Nação, num gesto de excepcional dedicação e heroísmo.

Dados do Ministério da Previdência, que paga o benefício a eles, afirmam que o Estado do Acre abriga mais da metade dos nordestinos ainda vivos que sobreviveram às adversidades do front de guerra – doenças, ambiente inóspito e animais ferozes. “Sem dúvida, nos campos de batalha, morreram mais soldados da borracha do que os combatentes de guerra”, disse a deputada.

Os dez heróis do Livro dos Heróis da Pátria

Joaquim José da Silva Xavier – O Tiradentes (1746-1792)

Primeiro a ter o nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria (21 de abril de 1992), por ocasião do bicentenário de sua execução. Mineiro, foi dentista prático e pertenceu ao Regimento de Dragões de Minas Gerais. Participou de um movimento contra os pesados impostos cobrados pela coroa portuguesa (Inconfidência Mineira), reprimida pelo governo central. Foi enforcado e depois esquartejado.

Zumbi dos Palmares (1655-1695)

Batizado com o nome de Francisco, Zumbi foi entregue ao padre Antônio Melo com quem viveu até os 15 anos quando fugiu para Palmares, quilombo entre o estado de Pernambuco e Alagoas, onde se reuniam os escravos fugidos. Lá ele se fez líder graças à sua coragem, capacidade de organização e comando. Tornou-se símbolo da luta dos negros por dignidade e igualdade.

Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892)

Militar desde os 18 anos, lutou na Guerra do Paraguai e liderou a facção do Exército favorável à abolição da escravatura. Em 1889, o alagoano lidera o movimento político-militar que acaba com a Monarquia e proclama a República. Foi o primeiro presidente do país.

Dom Pedro I (1798-1834)

Nascido em Lisboa, herdeiro do trono português, chegou ao Brasil em 1808 com a família real. Em janeiro de 1822, dom Pedro anuncia sua decisão de permanecer no país, e em 7 de setembro proclama a independência do Brasil. No mesmo ano é aclamado imperador e coroado com o título de dom Pedro I.

Duque de Caxias (1803-1880)

independência, pacificando várias províncias rebeldes. Nomeado comandante-em-chefe das forças do Império em operações contra o Paraguai, conclui sua jornada com a tomada de Assunção em 1869. É o patrono do Exército Brasileiro.

Plácido de Castro (1873-1908)

Militar gaúcho, em 1899 foi para o Acre e liderou os brasileiros instalados no território para expulsar os bolivianos. Derrotados estes, em 1903 proclamou-se a autonomia do Acre, obrigando as forças bolivianas à capitulação. Castro assumiu a chefia do governo provisório.

Almirante Tamandaré (1807-1897)

Joaquim Marques Lisboa, gaúcho de Rio Grande, entrou para a Marinha com 15 anos e tomou parte na campanha da independência, atuando em vários momentos contra os insurgentes. Participou da Confederação do Equador, da Campanha Cisplatina e na Guerra do Paraguai. É patrono da Marinha Brasileira.

Almirante Barroso (1804-1882)

Francisco Manoel Barroso da Silva, português de Lisboa, Portugal, veio para o Brasil em 1808 com a família real. Participou de combates na Guerra da Cisplatina, em operações contra a Cabanagem, na Província do Pará, e comandou a Força Naval Brasileira na Batalha Naval do Riachuelo.

Alberto Santos Dumont (1873-1932)

Teve o nome inserido no Livro dos Heróis da Pátria em 2006, em comemoração ao ano do Centenário do Vôo do 14-Bis, que marca o início da aviação no mundo. Mineiro, patrono da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira, inventou o avião e o relógio de pulso. Posteriormente, recebeu a patente honorífica de marechal-do-ar.

José Bonifácio de Andrada e Silva (1763- 1838)

O Patriarca da Independência, natural de Santos, formou-se na prestigiosa Universidade de Coimbra em Ciências Naturais e Direito. Doutor em Filosofia, foi o principal articulador, junto a dom Pedro I, da independência do Brasil. Era considerado o mais culto brasileiro do seu tempo. Em 1831, dom Pedro I, ao abdicar da Coroa, indicou-o para tutor de seu filho, o herdeiro do trono, e de suas irmãs.

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