Laudo confirma morte por dengue em Rolim
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010Doença levou uma menina de cinco anos a ter hemorragia interna, que segundo a mãe, não foi detectada pelos médicos do HM.
Um laudo assinado por um dos médicos do Hospital Municipal de Rolim de Moura para a funerária confirmou ontem, que Letícia Santos de Almeida, de apenas cinco anos, morreu vítima de dengue hemorrágica. No velório, a mãe da menina criticou o atendimento que a filha recebeu na unidade. Segundo ela, o médico que a atendeu dois dias antes da morte da garota não pediu exames, mas receitou medicamento para diminuir o vômito.
Bastante abalada, Valdiléia Rosana dos Santos concedeu entrevista. Segundo ela, Letícia começou a apresentar sintomas da doença ainda na sexta-feira à tarde. Tinha febre alta, o que foi contido com um antitérmico. No sábado levou a filha sem febre no HM, mas provocando vômitos. Contou o que a menina havia sentido no dia anterior, mesmo assim o médico não pediu exame, apenas receitou um Plasil.
“Ele ficou bravo comigo porque eu havia levado minha filha sem febre ao hospital. Quando retornei segunda-feira com a Letícia ele disse que tinha me receitado exames, que eu não tinha feitos os exames que pediu. Eu respondi para ele que ele não pediu exame algum e que só tinha passado remédio para vômito. Ele depois veio me pediu desculpa, mas minha filha já tava morrendo”, contou Valdileia.
No atestado de óbito, o médico que atendeu a garota menciona “dengue hemorrágica e hemorragia digestiva”. Segundo o diretor clínico do HM, Antônio Augusto, Letícia teria chegado já em estado grave ao hospital e que em menos de duas horas seu quadro evoluiu muito, sendo praticamente impossível a reversão. “Ela já chegou bastante desidratada, apresentava cianose (coloração azulada da pele) e com o abdomem bastante inchado”, lembrou.
Letícia teria sido levada para o centro cirúrgico da unidade para receber o atendimento, mas entrou em choque, perdendo a oxigenação do sangue e respirando com dificuldade. Morreu antes de poder ser removida para outro hospital. “No sábado eles só passaram uma bolsa de soro e um Dipirona pra minha filha, depois mandou a gente ir embora. Eu tenho que falar, tenho que botar a boca no trombone, porque a dor que estou sentindo, não desejo para mãe nenhuma”, desabafou Valdileia.
Números
Desde que as chuvas começaram a cair este ano, Rolim de Moura já registra a marca de 1.104 casos de dengue notificados nas redes pública e privada de saúde. Desses, mais de 300 foram confirmados, oito deles como sendo da forma hemorrágica da doença. Esta foi a primeira morte de um paciente vítima da dengue no município.
Atualmente a secretaria de saúde do município mantém dois fiscais para notificar e multar quintais considerados ameaças para o combate ao mosquito que transmite a dengue. Áreas que não forem limpas por seus proprietários terão esse trabalho feito por homens da prefeitura, serviço que será cobrado na taxa do IPTU deste ano, que está sendo entregue pela secretaria de fazenda.


