Confúcio Moura
Temos que entender e aceitar que o homem é um animal. E como um animal ele tem um limite e a conveniência para ser racional ou irracional. De repente o homem sai do sério e vira bicho. E vira bicho selvagem mesmo. E me parece que o homem tem muita de vampiro. De morcego. Adora sangue. Basta que se veja na rua um atropelamento, o sangue escorre e junta gente bem rapidinho como formiga num pires de doce.
Nem vou falar aqui do homem do tempo do macaco. Nem da pedra bruta e da pedra lascada. Porque certas tribos indígenas comiam os inimigos picadinhos. E tudo era bem normal. Até hoje, de vez em quando se vê criminoso que pica a vítima e esconde numa mala. Tem outros que põem os pedacinhos na geladeira. Tem pistoleiro que mata por aluguel. E não sente piedade e nem dó. Alguns tem até um ritual. Deixa o corpo torrando com pneus e sai pra comer um pastel. Depois volta para misturar as cinzas com o lixo. Sem mais e nem menos. E a vida e morte continuam igualmente vidas e mortes.
De vez em quando vem uma guerra. Uma guerra entre povos, maioria para escravizar gente. Tomar mulheres dos outros. Por causa de limite de terra, uma ilha sem importância. Um simples avião que penetra no espaço aéreo do outro. Vem a guerra. Outras são guerras civis. Não tem causa aparente, como a guerra civil brasileira, esta que existe todos os dias, surdamente existe. E gente morre no trânsito, de facada na barriga, de paulada na cabeça, de tiro na nuca, de chutes e de pisoteio. A guerra brasileira é fogo na roupa. Não sei agora lhes dizer quantos morrem diariamente no Brasil, mas, são milhares. E tudo continua bem normalzinho. A gente repara de longe o corpo caído, coberto por jornal e ainda vai lá ver de perto a cara do morto. E sai dali bem aliviado e senta no primeiro barzinho para tomar um chope, já bem esquecido de tudo que aconteceu.
Os bichos na floresta são do mesmo jeito. Os mais fortes comem os mais fracos. Os mais ligeiros comem os mais lentos. Os carnívoros comem os vegetarianos. Tem uma lógica básica – só os fortes sobrevivem. É a famosa lei da seleção natural. E fico reparando esta guerra sem fim de Israel contra os palestinos. Uma guerra genética. O menino já nasce com raiva. A criança é educada para uma vingança de toda a geração dizimada. O motivo aparentemente é um só – uma estreita faixa de terra chamada Gaza. A guerra por causa de conflito de terra.
Mas, o bicho homem pode ser educado. Pode ser amansado. Mais ou menos como se doma um burro bravo. Ou se doma um cão raivoso. A gente pode criar bons modos no homem. Desde pequeninho. A cultura da paz deve ser ensinada na creche. Na pré-escola. Quando um bichinho humano morder o outro, a babá tem que falar pra ele que não pode. Não pode. Não pode. Quem morde é cachorro. Estas coisas assim. E não pode parar nunca mais. Porque o homem deve ser domado desde cedo. O que pode e o que não pode. E repreendido.
A paz deve ser disciplina na escola. Ainda mais aqui no Brasil que anda meio destrambelhado. Que não se respeita a vida de outro. Que se mata e chupa picolé. E vai andando na rua bem leviano. E na escola também se deve castigar. Não murro na cara. Mas, por exemplo, ficar sem o recreio. Ficar meia hora depois do encerramento das aulas. Passar vídeos sobre a violência e a paz. Porque não basta construir presídios. Não adianta se gastar tanto dinheiro para construir presídios para embrutecer ainda mais o homem. O presidiário geralmente já tem uma deseducação de berço ou vítima de uma exclusão social bárbara.
O Brasil não é um país pacifico. Nós nos orgulhamos de não termos terremotos. Nem maremotos, nem vulcões, nem ciclones. Nem guerras tais quais a do Paraguai. O Brasil é uma jóia de país pacífico. Graças a Deus. Só tem que nós brigamos é com nós mesmos. Nós metemos o pau é em nós mesmos. Nós simplesmente nos matamos numa boa. Este é um país varonil. Deitado eternamente em berço esplêndido. Viva! Em lugar de presídio façamos escolas. E vamos educar a nossa juventude enquanto é tempo. Educar com qualidade. Gastar dinheiro bem gastado. E punir principalmente os pequenos delitos. Não deixar nenhum crime sem a devida punição, por menor que seja deve ser punido. Nem que seja com uma chicotada apenas.


