Artigo

O jogo duro do capitalismo: Confúcio Moura

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Êta mundão sem porteira!  Não tem a porteira na cerca, mas, linha imaginária, rio ou serra dividindo países. E cada qual com seu movimento. Cada qual com sua lenda, crença, reza, paixão.  Cada homem, onde estiver, no frio ou no calor, longe ou perto, é homem que sente e que tem desejo. É homem que pensa em ter onde morar. Homem que precisa ter o que comer. É homem que ama o seu lugar.

Sempre foi assim – o homem vendeu e o homem comprou o que tinha de sobra, quando nada tem vende a si próprio, o seu tempo, o suor, até o seu pensamento criador. O homem para ter precisa ganhar. Se não tem perto vai longe. Atravessa o próprio mar. Como fazem os brasileiros que vão pra Espanha, Estados Unidos, França, Paraguai. Vão se embora ganhar dinheiro ou ao menos se iludirem.

Aqui não está bom, mas, a gente sente saudade. Quando sai o pensamento fica grudado numa feijoada. Até mesmo no arroz com feijão. Num samba canção. No Luiz Gonzaga, Carnaval e Festa de São João. A gente não esquece a terra que nasceu, nem o peito da mãe, o amigo da escola, a igrejinha que se batizou. Todo homem ama a sua pátria, sai dela constrangido pela falta de oportunidades.

Capitalismo sempre foi assim mesmo. Quem tem compra mais. Quem tem vende mais. O mercador não tem limites. Foi assim com Portugal com seus navios cheios que foram para as Índias, fazerem trocas de mercadorias. Foi assim com o Brasil que se viu livre do pau-brasil que virou móvel de luxo na Europa. E assim sai a soja, o milho, o arroz, o ferro, a laranja. E vem o chip, o componente do computador, o equipamento médico, a máquina industrial. Sai o produto da terra, navio cheio, entulhado e vem um singelo container de produto industrializado. Vem até o café solúvel da Alemanha que não produz café. Vem até o chocolate suíço que não tem um pé de cacau.

Foi sempre assim, até mesmo o beduíno do deserto saía com seu camelo cheio de mercadoria para vender. Vendia uma coisa e comprava outra. E veio a moeda. E veio o dinheiro. E veio o mercado financeiro. As ações das empresas. A bolsa de valores. Que é arte de comprar sem se conhecer. De se aventurar como se aventura num garimpo. Pondo dinheiro pra ver se acha diamante.
As livrarias se encheram de livros. Os economistas, administradores, banqueiros todo mundo ensinando todo mundo a ganhar dinheiro, a ter lucro no bolso sem o suor da face.  E vieram as formas de governar – os modelos econômicos: capitalismo versus socialismo.  E em torno das idéias vieram as revoluções, as guerras, os muros nas fronteiras.  O que é bom de verdade?  Ainda mais agora que o capitalismo quebrou o mundo.  Será que comprar ou vender continua a ser a melhor alternativa. Ou será melhor cada um se voltar pra dentro de si mesmo. Cuidar do seu próprio quintal.  Marx com o Capital ou Adam Smith com Riqueza das Nações? Estes dois homens colocam claramente os seus pontos de vistas antagônicos e os dois estão certos, ainda mais agora, quando Adam Smith recebeu um brutal nocaute.

No meu entendimento e por completa ignorância sempre desconfiei de banco e de bolsa. Cheque especial a 9% ao mês de juro. Cartão de crédito a 15% ao mês de juro. Agiota comum a 3% de juro. Qual é pior? Banco ou agiota? Nenhum rendimento hoje em banco rende 1% ao mês. Mas, vá lá e peça um empréstimo e veja a quanto está? Às vezes até invisto alguma coisa, mas, já sabendo de antemão que vou ser ludibriado.  Pra mim que sou filho de artesão (mãe bordadeira e pai pedreiro) eu só acredito no fruto do trabalho suado.  No mais é jogo de loteria. É aventura. É esperteza, não está vendo aí o escândalo do Banco Oportunity, Beron, Banco Santos e outras tantos?

O segredo é trabalhar e economizar dez por cento do que ganha todo mês. Ganha quinhentos guarde cinqüenta.  Pague o dízimo pra você mesmo. O seu dízimo mensal. E vá economizando mês a mês, tostão a tostão, com o tempo você há de crescer e prosperar e conseguir tudo aquilo que sonha e deseja.  Ficou provado agora que o Brasil tem que se cuidar.  Manter uma mistura de globalização com nacionalização. Um verdadeiro ser ou não ser.  Porque no mundo nada está pronto e acabado. A China é um exemplo de comunismo com capitalismo. Uma mistura de Marx com Adam Smith. E aqui é cuidar do terreiro, investir na educação, pensar no menino pequeno, dar ao menino pequeno tudo de que precisar, cuidar do gasto público, reduzir imposto, preparar mão de obra. Claro que tudo isto não se faz da noite para o dia. Mas, dá para começar.

Banco, mercado financeiro e toda esta jogatina devem ter controle rigoroso do Estado. FHC fez isto. O povo esqueceu, mas, ele fez. Fechou dezenas de bancos. Criou o PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional é um programa brasileiro e tem a finalidade de recuperar instituições financeiras que estejam com problemas). Foi excelente, nenhum banco brasileiro quebrou agora. Não se pode esquecer do que fez FHC, extremamente prudente e correto e estadista.

Bertold Brecht, que dizia que “não há diferença entre fundar um banco e assaltar um banco”. Se ambos são feitos para lesar o bem comum. Nem tanto radicalismo Bertold, nem tanto, mas, merecerá punho forte do Estado sobre a atividade financeira desregrada.

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