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	<title>Rondônia digital &#187; opinião</title>
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	<description>Notícias de Rondônia</description>
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		<title>Mandamentos do jornalista</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 15:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor 1</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Contam os alfarrábios que quando Deus liberou para os homens o conhecimento sobre a informação, determinou que aquele &#8216;privilégio&#8217; iria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contam os alfarrábios que quando Deus liberou para os homens o conhecimento sobre a informação, determinou que aquele &#8216;privilégio&#8217; iria ficar restrito a um grupo muito pequeno de pessoas. Mas neste pequeno grupo, onde todos se acham &#8217;semideuses&#8217;, já havia aquele que iria trair as determinações divinas. Aí aconteceu o pior! Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns dos mandamentos do jornalista:</p>
<p>1º) Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.</p>
<p>2º) Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.</p>
<p>3º) Estarás condenado ao eterno cansaço físico e mental.</p>
<p>4º) Terás gastrite, se tiveres sorte. Se fores como a maioria, terás úlcera, pressão alta, princípios de enfarte, estresse e depressão. E, perto de se aposentar, terás câncer.</p>
<p>5º) A pressa será tua sombra e tuas refeições principais serão o lanche da padaria da esquina, a pizza do pescoção ou uma coxinha comprada no buteco mais próximo do local onde realizarás as reportagens.</p>
<p>6º) Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo; se te sobrarem cabelos.</p>
<p>7º) Tua sanidade mental será posta em xeque antes de completares cinco anos de trabalho.</p>
<p>8º) Ganharás muito pouco, não terás promoção, não terás perspectiva de melhoria e não receberás elogios de seus superiores e leitores. Porém, as cobranças serão duras, cruéis e implacáveis.</p>
<p>9º) Trabalho será teu assunto preferido; talvez o único.</p>
<p>10º) A máquina de café será tua melhor colega de trabalho; a cafeína, porém, não fará mais efeito.</p>
<p>11º) Os boteco que ficam abertos de madrugada serão tua única diversão e somente neles poderás encontrar malucos iguais a ti.</p>
<p>12º) Terás pesadelos freqüentes com horários de fechamento, palavras escritas erradas, reclamações de leitores, matérias intermináveis, processos, gritos ao telefone&#8230; E, não raro, isso acontecerá durante o período de férias.</p>
<p>13º) Tuas olheiras e mau humor serão teus troféus de guerra.</p>
<p>14º) Por mais que sejas um profissional ético, serás visto na rua como um canalha.</p>
<p>15º) E, apesar de tudo isso, haverá uma legião de “focas” querendo ocupar o seu lugar.</p>
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		<title>Crônica: O seu teto é o céu estrelado</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2010 12:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor 1</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, vou contar pra vocês, a história do “homem do Rey do Peixe”.  Cada vez que viajo à Porto Velho, quando atravesso a ponte do Rio Preto, fico logo apreensivo para saber se ele ainda está ali.  Vou andando atento, bem perto da Colônia de Pescadores, colado ao acostamento da BR-364 vive um homem, que se apossou de um pedaço de terra mínimo, talvez do tamanho de uma sepultura. Não sei se ele é homem, quase-homem, um bicho do mato ou quem sabe pensa que não é nada, ou pode ser o próprio vento.</p>
<p>Um varote fincado no chão, uma quase bandeira de saco plástico, é o seu ponto de referência no mundo. Quem sabe pra ele é o número da sua moradia, que não existe. Este é o homem especial que encara o universo de frente, sem proteção, quem sabe querendo regredir ou avançar aos tempos do homem primitivo! Quem sabe querendo ser super-homem. Estar ao relento absoluto assusta. Ele se ajeitou ali, como uma ave faz o ninho, no acostamento ao meio do capinzal. O socado no chão pelo pisoteio natural, ao relento de sol, chuva e vento, sobre tarimba mínima, lona clara por cima, sem armação nenhuma. E o tempo vai passando, quase um ano que vive ali, recebendo o esturro de carretas, caminhões, ônibus.</p>
<p>Este é o super-homem que não quis o abrigo de uma casa. Nem sombra de uma fruteira. Nem pedra. Nem barranco.  Preferiu ter o céu absoluto como teto, quem sabe orgulhoso, cansou dos limites das janelas e portas e optou para ter gananciosamente a amplitude da sua visão sem limite. O céu estrelado na noite. O sol na plenitude de dia.</p>
<p>Basta a gente olhar a natureza para se aprender. Também olhar o homem com seu multicolorido jeito de ser. Porque o homem, a sua cabeça, o jeito particular de cada um, terminar por ser, o homem é uma aula. Nunca se aprende tudo dele. O homem é um animal incompreensível. Quem me dera dormir sob um céu estrelado!</p>
<p>O mais incrível de tudo é o pensamento, que rola uma fita que não tem fim, o pensamento escorrega do seu jeito, o cérebro vai pensando até mesmo quando não se quer pensar em nada. Através dele, o homem ajeita-se nas suas convenções e vai classificando cada um de nós entre o mediano à loucura extrema.</p>
<p>Basta olhar no entorno de nós mesmos, para se ver nas cidades homens, mulheres e crianças vivendo nas ruas. São os mendigos. Os pés-inchados. Os drogados. Os miseráveis. Se mergulharmos nos seus mundos, quase vazios de posses, veremos um leque de motivos que oscilam da pobreza absoluta aos vícios mais dominadores. Quem sabe todos não tenham se cansando de esperar a felicidade? Como a felicidade demora muito, eles tem pressa e seguem em busca dela pelos mais absurdos caminhos. Vão-se os andarilhos pelas estradas em busca da terra e de ilusões. Cansados de tantos outonos de enorme aridez, vão-se todos em busca de primaveras floridas. Vão-se os retirantes, cortados ao meio, querendo ir e querendo ficar. Mas, vão-se todos despedaçados. Nós todos que fomos adestrados ficamos aqui. Os amansados ficaram aqui. Em nossos mundos sem estrelas só nossas e ficamos aqui previsivelmente assalariados.</p>
<p>Kafka descreveu o homem que virou barata, uma verdadeira metamorfose. O homem do “Rey do Peixe” não é mais homem, ao menos este homem convencional, de cabeça, tronco e membros. Este outro homem diferente  que tem malas, quartos, cozinhas, que se preocupa com o supermercado, com educação dos filhos. O homem do “Rey do Peixe” não tem nada. A tenda mínima, os mosquitos como amigos, o verde piso do capim, o sol ardente do meio dia, a frota de todos os veículos que passam, o barulho dos motores que não se lhe assusta, o lago do Jamari que empresta a água. E os grãos de soja caídos na estrada que ele cata um a um criteriosamente.</p>
<p>Não tem fogão. Não toma café.  De quando em vez alguém lhe joga um pacote de bolacha, nem para com medo do homem metamorfoseado, quem sabe homem e cobra, homem e tatu, homem e lagarto. A vizinhança aprendeu a conviver com ele, a distância de mil metros, a respeitar a sua preferência, que não incomoda a ninguém. Ele tira da beira da estrada o de que necessita, nada plantado convencionalmente, o mínimo do mínimo para continuar a viver.</p>
<p>Ele carrega no próprio corpo tudo que lhe pertence, incluindo o próprio corpo. Se morrer ali não dará trabalho nenhum à justiça na hora de fazer o seu inventário. Porque o que ele tem ele levará consigo mesmo para o reencontro com a terra mãe. Caso queira mudar de moradia, basta levantar e sair andando que o seu patrimônio o acompanhará sem grandes arrumações.</p>
<p>Infelizmente não posso descrever toda a rotina do “homem do Rey do Peixe”. Porque nunca parei ali para conversar com ele. Creio que por medo de algo que me parece pavoroso. Creio que por indiferença ao lagarto da beira da estrada. Talvez pela maneira agressiva que conduz a sua própria vida. Uma agressividade que foge a este mundo limitado de nossas visões.</p>
<p>“Não há servo e mendigo maior que eu, não me tema, portanto, pois, o pior que posso fazer é servir ou pedir”.</p>
<p>Crônica: Confúcio Moura</p>
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		<title>Crônica: Sombra e canto de passarinho</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 15:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editor 1</dc:creator>
				<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ainda não brotou o sol na copa da mangueira. Os passarinhos ligaram suas flautas em alvorada para acordarem o domingo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda não brotou o sol na copa da mangueira. Os passarinhos ligaram suas flautas em alvorada para acordarem o domingo. Enquanto tudo parece ainda sonolento, tem aqueles que animados pela noite, sons estridentes dos seus veículos, retornam dos bailes mecânicos.</p>
<p>Só de ouvir os passarinhos e como tem pássaros na cidade, eu me desperto por completo, em deslumbramento. Quem sabe são atraídos pela comida farta jogada fora, caídas nas ruas e perto de mercados? A musicalidade expressada por vários deles, de ouvido em prumo, dá para se compor uma sinfonia incrivelmente bela.</p>
<p>Ainda mais eles virão se em cada quintal se deixar uma árvore frutífera. A mangueira, além de boa sombra, bons frutos, na safra ou fora dela atrai os periquitos e muitos outros passarinhos cantadores. O mamão de fino cheiro puxa para suas copas até cauteloso tucano.  Fora os bem-te-vis, joão-de-barro e sabiás.</p>
<p>Quando se planta árvore na cidade ela se humaniza ainda mais. Ela se aproxima de uma amostra completa do universo. Porque o homem tem necessidade de estar um junto do outro. E por mais artificial que seja uma cidade a gente gosta de estar dentro de um paraíso. Quem é que não sonha com um sossego. Viver no meio de frutas, sombras e passarinhos?</p>
<p>E este despertar lento da madrugada, ao se abrir os olhos, ainda torporoso, ter-se a impressão de sonho. Sonho de campos floridos, de revoadas, de garças brancas, campos trigueiros, de girassóis, de uma roça de arroz cacheada. Sonho romântico de se ver ao longe, o príncipe (ou princesa) encantado, vindo de braços abertos ao seu encontro, enquanto os periquitos assanham os seus alaridos. Depois de tudo a decepcionante realidade de rochas quentes.</p>
<p>A cidade, ainda mais uma cidade amazônica, não se justifica ser despetalada por completo. Uma cidade tropical, quente e úmida, solta na lisura do asfalto, quando nem aragem se esvai do chão. Assim sendo, cada vez mais, torna-se uma cidade incompreensível e injustificada, que por si só, reduzirá o bem-estar dos vivos e que pode se tornar, só por isto, uma cidade agressiva e violenta.</p>
<p>A cidade plantada de verde colossal, florida com suas flores de floresta, com suas águas nascidas e perenes, com seus riachos, buracões, grotas vestidas de natureza tornar-se-á um verdadeiro paraíso encantado. Nem precisaria trazer de volta aos nossos dias os paisagistas renomados. Tem-se as mãos cheias por aqui também. Basta visitar mateiros com Raimundo do Mutirão. Ou Bernardo lá de Costa Marques. Que sem cerimônias implantarão modelos de bosques, enfileirados de árvores coloridas e dezenas ingazeiros nas beiradas dos igarapés.</p>
<p>O sol de ouro cobriu a mangueira. E tudo ficou bem claro agora. Ainda não ouvi nenhum ronco de automóvel. Os bichos de Ariquemes, mesmo domingo, espalharam-se na cidade. Os raios retinem nos telhados pintados como se fossem espelhos. Refletem-se em vários sentidos, cegam-me transitoriamente, nem posso olhar para não exagerar a minha percepção no seu limite extremo.</p>
<p>Como se sabe, ainda mais agora, nada se deve fazer paisagismo sem um projeto técnico. Antes, quando menino, não era assim, o próprio povo plantava árvore no quintal. Em todos os quintais havia mangueiras. Jaqueiras. Bananeiras. Goiabeiras. Fruta-pão. Jabuticabeira. Jambo. Os quintais eram verdadeiros parques de diversões. Crianças subindo nos troncos.  Balanços atados aos galhos. Poleiros de galinhas.</p>
<p>No asfalto ao meio dia a temperatura pode chegar a 45 graus Celsius. E este calor entra nas casas. Desassossega a criançada. Recém- nascido irrita-se num choro inexplicável. Idoso desidrata. Jovens não conseguem estudar. Aumenta a conta de luz. Ainda há mais a luz e calor dentro de casa. O fogão, o barulho do liquidificador, o ventilador, a TV ligado no máximo volume. A casa torna-se um lugar de brigas e extremamente irritante. Agonizante.</p>
<p>Sentar-se à porta da rua, à sombra da árvore, fim de tarde. Conversa alegre de vizinhança. As crianças correm e brincam ao alcance do olhar. É um momento inconfessável de grandeza comunitária. A família se acalma inteira. E a cidade passa a ser de humanos. Não de ETs. Não de lobisomens fantásticos. Quem não se atinar a estes detalhes jamais poderá conhecer as reações do seu povo. A carga de tensões, de estresse injustificado, de brigas, de adoecimentos, com certeza, em grande parte, deve-se ao desmantelo e descuido com princípios da humanizada convivência.</p>
<p>Crônica: Confúcio Moura.</p>
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		<title>Dia dedicado as mulheres, mas sem muito o que comemorar</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Mar 2010 15:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Mulheres de fibra, coragem, perseverança, que cuidam de suas casas, filhos, marido, mercado, trabalham, estudam, e ainda encontram tempo para cuidar delas próprias.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-19699 alignleft" title="mulher" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/03/mulher.jpg" alt="" width="400" height="328" />Mais um ano iremos comemorar o Dia Internacional das Mulheres, 8 de março é o único dia do ano dedicado a elas que não medem esforços e dedicação para tornar nossos dias melhores. Mulheres de fibra, coragem, perseverança, que cuidam de suas casas, filhos, marido, mercado, trabalham, estudam, e ainda encontram tempo para cuidar delas próprias.</p>
<p>Mulheres como a Coordenadora Regional de Recursos Humanos Suzana dos Santos Oliveira, que trabalha em uma concessionária de motos em Cacoal, e coordena mais quatro filiais no Estado, onde trabalham aproximadamente 120 homens. Segundo a coordenadora ela nunca sofreu nenhum tipo de discriminação por trabalhar e comandar tantos homens, “eles me respeitam pelo o que eu sou e não pela minha posição profissional” disse.</p>
<p>Ou como a Gerente Geral de um Centro Automotivo Aline Lovo, que tem sobre seu comando nove homens. Segundo Aline quando ela assumiu a gerência, não teve problemas com seus colegas de trabalho, o que sentiu foi uma resistência em relação aos clientes que chegavam procurando “o gerente”, e só quando ela demonstrava ter conhecimento sobre o assunto é que passavam a respeitá-la e escutá-la sem desconfiança.</p>
<p>Já para a trainee de peças de uma concessionária de motos, Aline de Souza Reis sua maior dificuldade foi o relacionamento. De acordo com a trainee quando começou seu treinamento, os homens que a ensinavam faziam com que ela se sentisse incapaz de realizar o trabalho e ela saia de lá com essa certeza, com o tempo foi se aperfeiçoando e hoje não vê lugar melhor para trabalhar, “os homens deve nos respeitar mais, nós não somos frágeis, deve nos olhar com mais amor, pois não somos menos que eles e tão pouco incapazes” frisou Aline.</p>
<p>Mas a realidade é que esse respeito tão almejado por todas as mulheres está bem longe de ser alcançado. Segundo estatística da Delegacia Especializada de defesa da Mulher e da Família (DEDMF), só no ano passado foram registradas aproximadamente 760 ocorrências de crimes cometidos contra a mulher, este ano já passam dos 260 boletins registrados, todos previsto na Lei Maria da Penha. A certeza que nós mulheres podemos ter é que esse respeito e reconhecimento infelizmente estão bem longe de serem alcançados.</p>
<p>Matéria: Magda Rocha</p>
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		<title>Pimenta nos meus olhos</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 12:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Confúcio Moura </p>
<p>Sou um vendedor de profecias. Por natureza, ando por aí, cantando em prosa e verso as vocações do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Confúcio Moura </em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-19435" title="confucio_435x480-300x248" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/03/confucio_435x480-300x248.jpg" alt="" width="300" height="248" />Sou um vendedor de profecias. Por natureza, ando por aí, cantando em prosa e verso as vocações do Estado de Rondônia.  Quando digo que não se pode fazer discurso único no meio de tanta diversidade é por convicção de um bom observador.</p>
<p>Rondônia é linda, rica, hermafrodita. Do masculino Rondon ela virou fêmea – Rondônia, por isso do seu encanto, imprevisível, que pode oscilar no cipoal da realidade à fantasia, pode ser tudo, pode ser quase, ela é e pode ser ainda mais.</p>
<p>Fui sacolejando pela BR 364 neste final de semana. Dentro do carro, mais ou menos como um saco de batatas, acomodando aos baques do pneu na buraqueira sem fim. O malabarismo de uma viagem sinuosa, arriscada, entre o torpor do nevoeiro e as chuvas torrenciais.</p>
<p>Pimenta Bueno descortina-se entregue a si mesma, dentro da sua couraça de mistérios e segredos. Corre nas suas veias uma carga genética coletiva e um desejo, ainda surdo, de surpreender. Creio que a cidade seja a mais mineira de todas as demais cidades do Estado. Não gosta de dizer o que tem. E a providencial esperteza de falar pouco. A sabedoria de ouvir. Enquanto a cidade inteira movimenta uma energia imensa quase subterrânea.</p>
<p>A cidade foi fincada no delta dos Rios Melgaço e Pimenta Bueno. Este ano, por lá, os igarapés de vida curta transbordaram, pegaram feições de rios, subiram os aclives de terras firmes. As águas brincam com a paciência dos moradores, invadem suas casas, sobem e descem nos seus terreiros, parecendo conversar com o homem. Conversa de natureza com o animal. A própria linguagem do tempo, dizendo: &#8211; tem lugar de água e tem lugar de gente. Cada um deve ficar no seu devido espaço. E o rio tem o seu. É a briga de todos os anos entre o rio e o homem.</p>
<p>Pimenta Bueno está ali, transfixada ao meio pela BR 364, no extremo da prudência, com um amargor entalado na goela, por tudo que é mais humilhante &#8211; a cidade e seus escombros rodoviários. Trecho urbano perenemente inacabado. E o que era para ser belo e urbanístico transformou-se em símbolo máximo da inoperância. Da ofensa. Da agressão ao bom senso. Da justificada ira do morador. Fantasmas de concreto, armados para serem viadutos, almas penadas a mancharem os céus e as terras pimentenses. Símbolos perversos das contradições.</p>
<p>Vias marginais danificadas pelo movimento incrível das carretas. Esqueletos malditos a assombrarem os sonhos de quem deveria ter paz. É o Governo com sua pesada burocracia do Estado, com seu paquidérmico órgão de estradas – o DNIT a sorrir indiferente e sarcástico das dores de uma cidade inteira. “Até quando Catilinas, tu abusarás da paciência nossa?”</p>
<p>Fora isto, aguaceiro e esqueletos de concreto, a cidade não para. A carga genética de que falei é a transbordante capacidade de empreender. Por-se a desafiar, ir do risco ao sucesso pela persistência. E assim, que se constrói por aqui, a mais nova cidade das confecções. A cidade está ocupada pelas costureiras. Por empresas médias e pequenas, a espargir a onda para as famílias, que trabalham sob encomendas e por tarefas. Mesmo em casa, fazem parte do grande elo da riqueza para todos.</p>
<p>Além dos serviços, do vigor estilista e alfaiate, Pimenta Bueno produz tijolos e telhas para Rondônia inteira. A sua argila é uma bênção da própria natureza. Tirou dela a terra fértil para a agricultura e em troca entregou-lhe o ouro do barro quase pronto para louças e cerâmicas de acabamento. As empresas do ramo não param de crescer.</p>
<p>Por ali, nesta estação do ano, a água mareja no solo, fura o esfalfo, corre na rua. Um lençol extremamente superficial, devido a uma manta impermeável de solo, conhecido ali como terra “chocolate”. Uma barra de chocolate sobre a terra, ampla e profunda, a mesma cor do cacau, quando solto sobre o piso fragmenta-se em pequenos estilhaços.  Tal qual um vidro.  Este solo chocolate que há de ser ainda, e não tardará, a maior fonte de riqueza do município – é a matéria prima para cerâmicas e pisos de altíssima qualidade. Chocolate o ouro negro de Pimenta.</p>
<p>Poderia parar por aqui. O que já foi dito já é muito. Mas, não. Ainda estou no começo. A empresa Cairu, quem de fora olha jamais entenderá a sua grandeza. Ela por si só é grande para qualquer Estado desta federação. Mais de mil empregos na cidade. Um labirinto de organização contábil, vendas, pesquisas, compras, depósito de peças que brevemente ocupará quinze mil metros quadrados de área coberta. Especializada em bicicletas e motos. E tudo começou como uma singela bicicletaria de consertos.</p>
<p>Fui longe ao Rio Melgaço, que na cidade espraia-se, distante, corre estreito dentro de paredões de pedras, um cânon ou cânion estreito e fundo, que se prestou a obras de engenharia para produção de energia. A ELETROGÓES está concluindo duas usinas – uma térmica e outra hidrelétrica.  Produzirá energia para atender a trezentos e cinqüenta mil pessoas. Tudo ali é extraordinário. Da engenharia aos resultados.</p>
<p>Não é profecia – é fato concreto.  Pimenta tem potencial e vocação empreendedora.  Será o município de uma nova economia – o reflorestamento com eucalipto e espécies nativas. Tudo para mover a termoelétrica. E abastecer a construção civil e rural. E a natureza pródiga com todos.</p>
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		<title>Bocas Modernas</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 18:46:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Todos são iguais quando nascem. Diz o artigo primeiro dos direitos universais do homem. Todos os homens nascem sem dentes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-18749" title="resizer.php" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/02/resizer.php_.jpg" alt="" width="350" height="263" />Todos são iguais quando nascem. Diz o artigo primeiro dos direitos universais do homem. Todos os homens nascem sem dentes para cumprir os desígnios da lei dos homens. Até aí tudo bem, na forma da lei. Depois eles nascem de leite, brancos, tenros, saudáveis e ficam ali, na boca por algum tempo. Como imensa graça os dentinhos mordem e depois eles passam. Não tarda o desdireito a se acabar de vez. A cárie dental, forte e endêmica, passa como um vento da morte pelas bocas de milhões de brasileiros. Que mutilados perdem o brilho do sorriso. Bloqueia no primeiro portal a função básica e essencial da digestão.</p>
<p>Foi-se o direito de mastigar. Ganha-se outro que é o de engolir inteiro. Ou em pedaços a vida continua goela abaixo e de tão raros, tudo o mais parece, que ter dentes brancos, seja graça e honra das minorias. Privilégio encantado para o mundo das maravilhas. Quero propor um negócio com você – eu troco o meu celular por um dente sadio.</p>
<p>Bem que a evangelização poderia começar pela boca. Rogai por nós pecadores, que desde o princípio, como peso pesado, seguimos o calvário de tantas cáries, de dentes furados, cariados, perdidos, arrancados, que vão se tombando, um a um, ou chacinados em bloco. Que país é este? De humanóides mandibulados e desdentados? Que mesmo assim fala soprado ao seu celular pré-pago.</p>
<p>É a triste sina da regra geral. E o mais irônico de tudo isto, que do alto do artigo 196 da Constituição Federal estampa com grandeza incomum &#8211; A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.</p>
<p><strong>Como é fácil fazer leis.</strong></p>
<p>Onde estão meus dentes brancos? Como aqueles que me nasceram de leite, tão raros e passadiços enquanto guardo lembranças. Será que não os terei permanentes, servíveis e magnânimos? Quanto me custará uma boa mordida, um doce beijo de dentes trinando como os sinos que si tocam. Não aceito o destino como direito. Nem como justificativa do descumprimento da lei. Nem porque tudo deve ser sempre assim. E a boca excluída do tubo digestivo, como se fosse uma sinistra embocadura de um portal tenebroso.</p>
<p>De tão comum a omissão ao sagrado direito à saúde bucal, o povo brasileiro, mansamente segue a maioria. Como se tudo isto fosse tão natural. Pronto e pacífico destino, que a triste ausência dos dentes, também se perde o direito à ira, a insubordinação e brado heróico grito da revolta. Mas, eu quero os meus dentes brancos de volta. De qualquer jeito eu quero os meus dentes de leite. Que se foram de mim arrancados ou destruídos.<br />
Quem sabe poderia agora, nestes tempos tão modernos, ter de novo um figuraço como Antonio Conselheiro.</p>
<p>Que unisse a todos os mutilados desta guerra de todos os dias. E ainda fundasse uma nova Canudos e de lá das margens do Vaza-Barris resistisse a todos os exércitos. E que a grande causa fosse o legítimo direito a ter dentes brancos. Eu quero um sorriso perfeito. Quero abrir a boca e ter fileiras inteiras de dentes, por cima e por baixo, endireitados e perfeitos.</p>
<p>Aqui não cabe nada que seja adjetivo. Não rima cárie com natureza esplendorosa. Nem com florestas majestosas. Ou verde pendão da minha terra onde canta o sabiá. A cárie dói. Dói o dente, o osso, o miolo. A dor humilha e exclui. Me chame Conselheiro para a sua guerra santa. Serei um seguidor revolucionário. A luta pelo direito a boa odontologia na escola. O direito de escovar os dentes todos os dias da minha vida e usar o fio dental. Eu quero bochechar o flúor das águas. Eu também tenho o direito de bochechar.</p>
<p>Ao menos isto. Bochechar o flúor. Escovar os dentes com pasta. E depois abrir a boca e dizer em alta voz &#8211; soprado e solene o maior aaaahhhhhhhhhhhhhh do mundo. Vou correr atrás do prejuízo. A maratona está aí à frente, correr mesmo que chegue morto, saltar os obstáculos das latas e mais latas jogados no lixo de dentes que poderiam ser salvos. Quero pintar uma nova Guernica só para os desdentados vitimas da omissão de todos os tempos.</p>
<p>Não tardará que a evangelização comece pela boca. Uma nova campanha da Solidariedade tão massiva, que seja forte e avassaladora como os milagres do soro caseiro ou da multimistura. E a multimistura dos dentes sadios é a singeleza de se escovar os dentes e ter a água fluoretada. E o sagrado direito de visitar o dentista ao menos uma vez por ano.</p>
<p>Dias atrás li nos jornais que o Brasil tem mais dentistas do que a Europa inteira. Fiquei alegre, orgulhoso e abismado. Sendo assim, também, o Brasil deveria ser o país com melhor saúde oral do mundo. A realidade é outra. Muita gente nunca foi ao dentista. Outros foram para extrações puxadas pelo inferno da dor.<br />
Eu quero os meus dentes de volta para ter um sorriso perfeito.</p>
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		<title>Antídotos contra a corrupção</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 12:59:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>EM &#8220;A REPÚBLICA&#8221;, Platão conta o mito do camponês Giges que, certo dia, pastoreando suas ovelhas, encontra uma cratera aberta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-17999" title="marina-silva" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/02/marina-silva.jpg" alt="" width="566" height="446" />EM &#8220;A REPÚBLICA&#8221;, Platão conta o mito do camponês Giges que, certo dia, pastoreando suas ovelhas, encontra uma cratera aberta por violenta tempestade. Lá, ele descobre o cadáver de um homem, com um anel no dedo.</p>
<p>Pega o anel e o coloca no próprio dedo. E, para sua surpresa, percebe que a joia lhe dá a faculdade de se tornar invisível.<br />
Com esse poder, Giges passa a cometer uma série de delitos: seduz a rainha, mata o soberano, usurpa o poder. O mito desvenda, assim, a propensão humana a praticar atos condenáveis quando há a certeza da invisibilidade. Impossível não pensar nisso diante do mais novo escândalo nacional, envolvendo o governador de Brasília.</p>
<p>Repetem-se comportamentos -mudando apenas os nomes e os partidos- e fica evidente que a visibilidade dos atos públicos, a tão decantada transparência, somada a ações exemplares de punição ao mau uso do dinheiro do contribuinte, é o melhor caminho para inibir a corrupção e constranger atos ilegais e imorais. Quando não temos processos consolidados que permitam o acompanhamento e o controle social, a corrupção, que se nutre da doentia obsessão pelo poder em si mesmo, ganha espaço e desenvoltura.</p>
<p>Infelizmente, ainda se entende o controle social como algo que atrapalha, empata. Atrapalha o quê e a quem? Seguramente, não a população e o interesse público, como estamos cansados de ver.</p>
<p>A corrupção política, envolvendo agentes públicos e privados, deteriora as instituições e rouba da sociedade o seu espaço de escolha, de realização de objetivos comuns e de solução de problemas dentro de regras democráticas. É a sombra que acompanha a história brasileira e hoje atinge o paroxismo.</p>
<p>A política se descolou da sociedade e atua movida por suas próprias razões e interesses, o que não leva e nunca levará a atos eticamente aceitáveis, mesmo que muitos deles não estejam tipificados em lei como crimes.</p>
<p>Nossa tarefa é a de identificar, na política, onde estão os anéis de Giges e destruí-los. No caso de Brasília, não penso que se deva tripudiar ou correr para tirar proveito político da desgraça que, a rigor, é da cidade. Não cabe vingança, mas sim justiça, para retomar o primado do interesse coletivo. Mas isso não esgota o assunto.</p>
<p>O risco está aí, no modelo de financiamento de campanhas, na tendência a mostrar o mínimo possível das entranhas da gestão pública, na pouca disposição a enterrar os privilégios que alimentam a fogueira da corrupção. O projeto de iniciativa popular conhecido como Ficha Limpa ainda está patinando no Congresso, o que é um mau sinal. Não é este o momento emblemático de aprová-lo?</p>
<p>Por <strong>Marina Silva</strong></p>
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		<title>O Descobridor de Enigmas &#8211; PARTE I</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 14:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: left;">Em todo lugar há figuras folclóricas.Aquelas pessoas que carregam em si mesmas marcas de alegrias ou manias.No Jaru [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-17193 aligncenter" title="noticia380" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/02/noticia380.jpg" alt="" width="576" height="432" />Em todo lugar há figuras folclóricas.Aquelas pessoas que carregam em si mesmas marcas de alegrias ou manias.No Jaru teve o Saravá que de tão polêmico, só se o ouvia se não desse tempo de escapar antes.Era portador do TOC – transtorno.</p>
<p>Em todo lugar há figuras folclóricas. Aquelas pessoas que carregam em si mesmas marcas de alegrias ou manias. No Jaru teve o Saravá que de tão polêmico, só se o ouvia se não desse tempo de escapar antes. Era portador do TOC – transtorno obsessivo compulsivo. Com o TOC o cara tem idéia fixa, preocupação continua. Ele tinha mania de perseguir falhas na saúde pública.</p>
<p>Do outro lado tem o VICENTÃO. Um boa praça. Sempre de bem com a vida. Nunca reclama da sua vida dura. Uma memória prodigiosa do alto dos seus 73 anos de vida. Tem também a sua mania, que é a de entrar na roda de conversa e daí a pouca rouba a cena só pra ele. Sempre tem novidade pra contar. O TOC dele é a política. É MDB desde Ulisses. Sua cabeça é um dicionário de datas e nomes.</p>
<p>Vicente Souza Ramos é maranhense. Barbeiro de profissão. A mania de contar “causos” veio da necessidade de ganhar clientela e segurar o sujeito na cadeira enquanto tilintava a tesoura e manejava a navalha. Enquanto não concluísse a história não dava por fim a sua tarefa. Ao fim o freguês ganhava uma mão de talco e Água Velva. Do seu salão o freguês saia rindo e cheiroso.</p>
<p>Saravá já morreu. Ainda é lembrado no Jaru. Quem quiser ganhar fama espere pela morte. Saravá ficou famoso pela sua incomparável chatice. Talvez esteja no GWR – Guinness World Records. Sem dúvida nenhuma, se um dia chegasse à Presidência da República o nomearia (in memorian) para o Ministério da Saúde.</p>
<p>Vou deixar Saravá em paz. Encontrei-me com Vicentão dia 5 passado na Câmara de Vereadores do Jaru. Não tardou ele começou mais um caso, como se verdadeiro fosse. Tudo aconteceu na sua viagem de férias a São Paulo. Ele que vive sereno e calmo em sua casa, um silêncio apavorante noites inteiras, um latido de vez em quando, o Rio Jaru apenas sussura na cheia. A BR 364 fica longe. Enquanto as carretas de soja passam destrambelhadas nos quebra-molas. Soja e usinas deixaram a BR um inferno. Preço que se paga pelo progresso.</p>
<p>Em São Paulo não conseguiu ter paz. A cidade não dorme. Pelo atordoado não se sabe se é dia ou noite. Veio uma insônia apavorante. Ele aproveitou o tempo para elucidar alguns enigmas que o perseguia a tempo. Os “olhos” imensos nas asas de algumas borboletas da Amazônia, a importância da pena do pato, a estreita relação da melancia com a geografia da Terra, os mistérios do bico do tucano. Enfim, depois de semana sem dormir conseguiu se satisfazer com os esclarecimentos das noites em claro.</p>
<p>O PATO vive no lago, mergulha, sai fora e farfalha a asa e água desaparece. Está enxuto em folha. Suas penas são impermeáveis por natureza. Enquanto a galinha quando molha fica toda embolada por horas a fio. Foi assim, por esta propriedade rara que a pena do pato serviu à Princesa Isabel para assinar a Lei Áurea. Não havia a caneta Big e nem a Parker naquele tempo. Era na base da pena de pato e tinteiro. O que deu a ele a preciosidade rara de entrar na história. E a infelicidade de viver quase pelado pela força da preciosidade de suas penas.</p>
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		<title>A terrível crônica da realidade</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 12:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
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		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Nem sei por onde começar. Tantos são temas que vem à cabeça neste instante</p>
<p>AVATAR. HAITI. CAOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. ENCHENTES [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nem sei por onde começar. Tantos são temas que vem à cabeça neste instante</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-15222" title="confucio(2)" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/01/confucio2.jpg" alt="" width="240" height="180" />AVATAR. HAITI. CAOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. ENCHENTES EM SÃO PAULO. O REENCONTRO COM TOTA E ROSIMEIRE. CHILE. VENEZUELA. ELEIÇÃO 2010.</p>
<p>Quando vejo aqueles negros desesperados no Haiti eu me remeto na hora à escravidão no Brasil. Dá-me um aperto no peito. Uma dor. Como se fosse uma agulha enfiada no boneco vodu e me dói aqui. E dói mesmo. Não tem quem não sofra por eles. Não tem quem não deixe uma lágrima no canto do olho. Não tem quem não se cale por alguns segundos. Dói fundo. O sofrimento esmagando a dignidade humana.</p>
<p>No entanto, o Haiti já vinha penando dores e sangues. Já estava no fundo do poço. Não há sofrimento que ainda não possa piorar. E piorou ao extremo. Para piorar ainda mais só mesmo o holocausto da natureza tal qual o dilúvio ou tremores de terras continuados. Mas, ainda é possível piorar ainda mais. Chegar ao infinito dos limites dos padecimentos humanos. No ultramar da penúria.<br />
HOPE FOR HAITI NOW. Está no Youtube. A música pelo Haiti. O twitter em movimento de doações permanentes. Brad Pitt e Angelina Jolie doaram 1 milhão de dólares, outros artistas também. Cantores e artistas do mundo inteiro mobilizam-se em shows espetaculares cantando o Haiti para mundo. E a música é mesmo internacional. Só ela bate forte nos corações.</p>
<p>E lá estão os negros. Os mesmos que vieram escravizados para o Brasil. Como subgente. Abaixo dos animais irracionais. Dizimados sob o manto da legalidade, tridimensionalmente espancados, nascidos exclusivamente para servir e que mesmo assim, mais forte ficou por dentro, a ira da subordinação. O canto engolido e fundo. As crenças nunca apagadas e a arte remotamente expressada.</p>
<p>O Haiti é a aqui. Disse Caetano. E é verdade. O Haiti é aqui. Porque este Brasil brasileiro, do Flamengo e do Corinthians também se desponta, embora não se queira falar, com duas ou três caras bem diferentes. De forma que só uma aparece no foto. As outras estão por baixo do tapete. As enchentes de São Paulo, as de Blumenau e as tormentas da costa de Santa Catarina. O que ocorreu em Angras dos Reis. E nem se fala do que se passa com os índios sempre escorraçados e dizimados.</p>
<p>Para se ter uma idéia foi exterminada cerca de 4 milhões de indígenas brasileiros entre o descobrimento e século XIX. O Haiti é aqui porque nas regiões metropolitanas há guetos e favelas. Na Amazônia os ribeirinhos também escrevem a tragédia da exclusão social. Alguém já disse que o Brasil é uma berlíndia (Bélgica e Índia), mas, usando a música mais parece uma berlaiti (Bélgica e Haiti).<br />
Aqui e lá estamos em Avatar. Cheios de humanóides que queremos exterminar. Porque já estamos em franca e efetiva operação de desmonte do nosso povo também. Quando um belo país, de Airton Sena, Zerbini, Cafu e Popó, piora ainda mais a sua educação fundamental, para onde queremos ir? Senão para o fim do mundo? Que política é esta que se descontrola tanto, e vai-se afundando, um Titanic afundando, e pode sumir, submergir e mais o que era tão ruim pode piorar. Tal qual o Haiti que já sofria e é capaz de sofrer ainda mais. A educação brasileira piorou. Desceu ladeira abaixo e está no 88º lugar entre os países. Pior do que o Paraguai. Pior do que a Bolívia. É o pior dos piores. Nem falo Argentina e Chile que são céus de brigadeiros na educação quando se compara com o Brasil.</p>
<p>Na cabeça do povão a educação está uma beleza. E a eleição de 2010 está por um triz. Quem terá coragem de falar na educação. Porque educação não dá voto. Cristovam Buarque pode dizer do alto de sua cátedra. Não dá voto porque o povo acha que ela está a mil maravilhas. É o tema mais importante de todos. O povo acha que não. Que está pra lá de Bagdá. E aí – fala ou não fala?<br />
O Chile entrou mais uma vez no contraditório da América Latina. Enquanto uns e outros elegem superesquerdistas, o Chile diz o contrário, elege um superdireitista. Que com certeza será convertido em social democrata porque o Chile está bem composto politicamente e economicamente. Não tem espaços para mudanças radicais num país equilibrado. O Sebastián Pinera será uma Michele Bachelet de calças compridas.</p>
<p>Voltando ao tema educação – o caminho é só um – treinar e treinar ainda mais professores. Avaliar os alunos mensalmente. Pagar professores por produtividade. Colocar bibliotecas nas escolas. Educação integral e em tempo integral para todos. Cursos de gestão para diretores. Metas definidas com rigor. Conselho pedagógico forte. Chamar os pais pra dentro das escolas.<br />
O Haiti é aqui. Talvez chame o James Cameron para meu publicitário. E a Venezuela segue a passos largos para o precipício anunciado. Vamos salvar os nossos humanóides do Haiti e daqui. Tota e Rosemeire falo na próxima semana.</p>
<p><em>Por</em> <strong>Confúcio Moura</strong></p>
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		<title>SERÁ QUE A PAZ EXISTE?</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 19:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Confúcio Moura </p>
<p>Temos que entender e aceitar que o homem é um animal.  E como um animal ele tem um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Confúcio Moura </strong></p>
<p><img class="size-full wp-image-14508 alignleft" title="confucio-moura3" src="http://rondoniadigital.com/wp-content/uploads/2010/01/confucio-moura3.jpg" alt="confucio-moura3" width="239" height="335" />Temos que entender e aceitar que o homem é um animal.  E como um animal ele tem um limite e a conveniência para ser racional ou irracional. De repente o homem sai do sério e vira bicho.  E vira bicho selvagem mesmo.  E me parece que o homem tem muita de vampiro. De morcego.  Adora sangue. Basta que se veja na rua um atropelamento, o sangue escorre e junta gente bem rapidinho como formiga num pires de doce.</p>
<p>Nem vou falar aqui do homem do tempo do macaco. Nem da pedra bruta e da pedra lascada. Porque certas tribos indígenas comiam os inimigos picadinhos. E tudo era bem normal. Até hoje, de vez em quando se vê criminoso que pica a vítima e esconde numa mala.  Tem outros que põem os pedacinhos na geladeira. Tem pistoleiro que mata por aluguel. E não sente piedade e nem dó. Alguns tem até um ritual. Deixa o corpo torrando com pneus e sai pra comer um pastel. Depois volta para misturar as cinzas com o lixo. Sem mais e nem menos. E a vida e morte continuam igualmente vidas e mortes.</p>
<p>De vez em quando vem uma guerra.  Uma guerra entre povos, maioria para escravizar gente. Tomar mulheres dos outros. Por causa de limite de terra, uma ilha sem importância. Um simples avião que penetra no espaço aéreo do outro. Vem a guerra.  Outras são guerras civis.  Não tem causa aparente, como a guerra civil brasileira, esta que existe todos os dias, surdamente existe. E gente morre no trânsito, de facada na barriga, de paulada na cabeça, de tiro na nuca, de chutes e de pisoteio. A guerra brasileira é fogo na roupa. Não sei agora lhes dizer quantos morrem diariamente no Brasil, mas, são milhares.  E tudo continua bem normalzinho. A gente repara de longe o corpo caído, coberto por jornal e ainda vai lá ver de perto a cara do morto. E sai dali bem aliviado e senta no primeiro barzinho para tomar um chope, já bem esquecido de tudo que aconteceu.</p>
<p>Os bichos na floresta são do mesmo jeito. Os mais fortes comem os mais fracos.  Os mais ligeiros comem os mais lentos. Os carnívoros comem os vegetarianos.  Tem uma lógica básica – só os fortes sobrevivem.  É a famosa lei da seleção natural. E fico reparando esta guerra sem fim de Israel contra os palestinos.  Uma guerra genética. O menino já nasce com raiva.  A criança é educada para uma vingança de toda a geração dizimada. O motivo aparentemente é um só – uma estreita faixa de terra chamada Gaza. A guerra por causa de conflito de terra.</p>
<p>Mas, o bicho homem pode ser educado.  Pode ser amansado. Mais ou menos como se doma um burro bravo.  Ou se doma um cão raivoso. A gente pode criar bons modos no homem. Desde pequeninho. A cultura da paz deve ser ensinada na creche. Na pré-escola. Quando um bichinho humano morder o outro, a babá tem que falar pra ele que não pode. Não pode. Não pode.  Quem morde é cachorro. Estas coisas assim.  E não pode parar nunca mais. Porque o homem deve ser domado desde cedo. O que pode e o que não pode. E repreendido.</p>
<p>A paz deve ser disciplina na escola. Ainda mais aqui no Brasil que anda meio destrambelhado. Que não se respeita a vida de outro.  Que se mata e chupa picolé.  E vai andando na rua bem leviano. E na escola também se deve castigar. Não murro na cara.  Mas, por exemplo, ficar sem o recreio.  Ficar meia hora depois do encerramento das aulas. Passar vídeos sobre a violência e a paz.  Porque não basta construir presídios. Não adianta se gastar tanto dinheiro para construir presídios para embrutecer ainda mais o homem. O presidiário geralmente já tem uma deseducação de berço ou vítima de uma exclusão social bárbara.</p>
<p>O Brasil não  é um país pacifico. Nós nos orgulhamos de não termos terremotos. Nem maremotos, nem vulcões, nem ciclones. Nem guerras tais quais a do Paraguai.  O Brasil é uma jóia de país pacífico. Graças a Deus. Só tem que nós brigamos é com nós mesmos.  Nós metemos o pau é em nós mesmos. Nós simplesmente nos matamos numa boa.  Este é um país varonil.  Deitado eternamente em berço esplêndido. Viva! Em lugar de presídio façamos escolas. E vamos educar a nossa juventude enquanto é tempo.  Educar com qualidade. Gastar dinheiro bem gastado.  E punir principalmente os pequenos delitos.  Não deixar nenhum crime sem a devida punição, por menor que seja deve ser punido.  Nem que seja com uma chicotada apenas.</p>
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